Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Excluídos do Oscar

Cultura

Luiz Carlos Merten

22 Janeiro 2009 | 09h15

PARIS – Filipo, e não apenas ele, me pede que comente a ausência de ‘Última Parada 174’ entre os pré-indicados para o Oscar de melhor filme estrangeiro. A Academia de Hollywood anuncia hoje os filmes que vão concorrer ao prêmio. Não pesquisei quem são os pré-indicados, mas só o fato de saber que ‘Gomorra’, de Matteo Garrone, e o filme de Bruno Barreto caíram fora já sinaliza uma tendência. ‘Gomorra’ e ‘Última Parada’ têm em comum a estética da violência como forma de refletir o social. Talvez seja isso que os votantes da academia estejam querendo descartar nesse alvorecer, cheio de esperança, da era de Barack Obama. Existe violência em ‘Entre les Murs’, de Laurent Cantet, e em ‘Valsa com Bashir’, de Ari Folman, mas é outra coisa, outra dimensão. O próprio ‘Slumdog Millionaire’, de Danny Boyle, que no Brasil vai se chamar, como é que é?, ‘Quem Quer Ser Milionário’, acompanha a trajetória de um garoto das favelas de Bombaim que quer superar a exclusão social. No começo, ele cai na m… (literalmente). O programa de TV, no qual entra para chamar a atenção da mulher amada, o resgata socialmente. Tudo isso tem a ver com violência, mas ela não é o tema do filme de Danny Boyle. A história trata das ferramentas que abrem as portas da riqueza para o protagonista, mas o tema é fornecido por sua relação com o irmão, que muitas vezes age como carrasco, mas sempre se redime. Vamos ver à tarde, já anunciados os finalistas, se formulo um pensamento mais estruturado. Mas e aí – vamos ter um favoritismo de ‘Slumdog’ no Oscar? O filme teve onze indicações (onze!) no Bafta, o Oscar inglês. Acho meio exagerado todo esse reconhecimento para Danny Boyle, cuja fase ‘fantástica’ (ou de ficção científica) não me agrada muito, mas, enfim, ‘Slumdog’ é uma melhora e tanto para ele. Só não estou muito seguro de que ‘Slumdog’, por mais euforia que tenha me produzido, com seu desfecho à Bollywood, seja melhor do que ‘Benjamin Button’, que me produziu a epifania que vocês sabem (e relatei no texto do ‘Caderno 2’). Preciso rever o filme de David Fincher. Vou fazê-lo em Lisboa, para onde vou no domingo.