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Luiz Carlos Merten

29 Maio 2008 | 17h10

Preciso sair, mas só um postezinho. Sean Penn virou herói nacional francês à frente do júri que escolheu o filme de Laurent Cantet, ‘Entre les Murs’, como o melhor de Cannes, em 2008. A imprensa francesa reagiu com entusiasmo após 21 anos de jejum da Palma de Ouro. A última, recebida debaixo de vaia, havia sido por ‘Sob o Sol de Satã’, de Maurice Pialat. nos anos 80. Os franceses há tempos vinham fazendo a festa para os outros. O legal é que foi uma Palma muito bem recebida. ‘Entre les Murs’ não obteve apenas unanimidade entre os jurados. Podia-se ter esta ou aquela preferência, mas foi um Palma honrosa, de um filme que eu acho que vocês vão gostar. Cantet trabalhou com um cara que nem ator é, François Gébaudeau, um professor (de francês) que escreveu o livro que lhe serviu como ponto de partida. Entrevistei os dois e são ótimos. Cantet confessou que o filme só tomou forma na sua cabeça quando ele propôs e François aceitou fazer o próprio papel. Eu teria dado o prêmio de melhor para o François, mesmo ele não sendo profissional, porque o cara é muito bom. Aliás, Jean-Thomas Bernardini, da Imovision, teve uma sorte danada. Ele já havia comprado os direitos de distribuição do filme para o Brasil. Ontem li uma reportagem que ‘Entre les Murs’ já foi vendido para 43 países e, em Cannes, face às críticas favoráveis, os produtores fizeram somente opções de compra e venda, acrescidas de uma cláusula estipulando que o valor dobrava, se o filme ganhasse. Jean-Thomas já tinha comprado antes. Deus ajuda quem madruga (ou quem corre na frente).