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Luiz Carlos Merten

23 Janeiro 2009 | 06h54

PARIS – Tentei assistir ontem à exposição de Picasso no Grand Palais, mas os ingressos estão esgotados até dias 2, quando o evento se encerra, e os poucos disponíveis só podem ser comprados na fila. A situação ontem era simples – quatro horas de espera, sob a chuva. Não deu. Voltei à redação para o anúncio do Oscar. Tinha um texto que saiu hoje no ‘Caderno 2’. Não mtive tempo de registrar minha indignação com essa academia de m… A crítica reclama que o dinheiro – money, money, money – é o Deus do cinemão, mas como virgem no bordel a academia tenta fingir que não é com ela. O maior sucesso do ano também é o melhor filme, ou um dos maiores, mas seria feio colocar ‘Batman – Cavaleiro das Trevas’ entre os indicados para melhor filme. Não é suficientemente ‘sério’. A disputa será, como no Globo de Ouro, entre ‘Benjamin Button’ e ‘Slumdog Millionaire’, que no Brasil vai se chamar ‘Quem Quer Ser Um Milionário’, que concorrem com ‘Milk’, ‘Frost Nixon’ e qual é mesmo o outro? ‘O Leitor’, do Stephen Daldry, me havia dado um branco. E depois vocês dizem que o Globo de Ouro não é mais indicativo do Oscar… ‘Batman’ já não havia sido indicado no Globo, não é? Vamos ter nova vitória póstuma de Heath Ledger como melhor coadjuvante, Kate Winslet pode até ser melhor atriz (por ‘The Reader’), mas não vai repertir a dupla vitórtia simplesmente porque não foi indicada para melhor coadjuvante. Disse um dia que o Oscar não é honesto. Alguém reclamou. Pode ser não ser justo, mas honesto é, por ser democrático etc e tal. Mas me referia à questão da honestidade como um conceito inviável em Hollywood. Como pode ser honesto um sistema que celebra o sucesso, ao mesmo tempo em que o pune? Eu, hein? Fui ontem à noite ao teatro, ver Fanny Ardant. A peça é ‘Music Hall’. Dramaturgicamente – tecnicamente – não é um monólogo, mas é como se fosse. Fanny divide a cena com dois sujeitos, que se chamam ‘boys’, e eles estão ali somente como escadas para o texto dela. Achei médio, embora a atriz seja ótima, claro (qual é a novidade?). Só para a informação de vocês, o espetáculo é dirigido por Lambert Wilson, ator de ‘são’ Resnais (em ‘Beijo na Boca, não’). Na saída, ele estava na porta, muito simpático. Agora, pela manhã, segue chovendo. Vou tentar – mais cedo – a fila do Picasso, de novo. Quem sabe hoje tenho mais sorte? No domingo, vou para Lisboa e volto para Paris na próxima sexta. Os três últimos dias, de sábado, 31, a segunda, dia 2, serão ininterruptos. Exposição 24 horas. Espero ter chance de ver, hoje ou mais tarde, os mestres pelo gênio de Picasso.