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Luiz Carlos Merten

02 Maio 2008 | 12h29

RECIFE – Estou com dor de dente, um dente que não poderia estar doendo (fiz tratamento de canal e tudo). Um pouco por isso, mas também porque falei bastante dos dois filmes no ‘Caderno 2’, não vou dizer nada sobre ‘Operação Condor’ nem ‘Zona do Crime’, que estrearam ontem. Entrevistei os dois diretores, Roberto Mader e Rodrigo Plá, que me disseram coisas interessantes. Mader explicou sua opção por fazer um filme sobre a operação de repressão montada pelos governos militares do Brasil, do Chile, do Uruguai e da Argentina, sob supervisão da CIA, nos anos 70, contando a história terrível do ângulo mais humano, o das vítimas da ditadura. No limite, é o que a gente guarda, mas do filme dele eu nunca vou esquecer do filho de Pinochet, que cobrou para dar entrevistando defendendo o próprio pai. Rodrigo Plá diz coisas muito sensatas sobre a necessidade de o cinema latino permanecer enraizado no regional sem perder de vista a globalização. Leiam. O post, de qualquer maneira, fica aberto para que vocês opinem sobre os dois filmes. O título do post, em castelhano, é brincadeirinha porque ambos os filmes tratam dos ‘hermanos’. E, ah, sim, não posso deixar de citar o relevo que Mader dá à história de Lilian Celiberti e Universindo Diaz (é Diaz, não?). Aquilo, e mais a Flávia Schilling, faz parte da minha vida política, profissional e pessoal. Luiz Cláudio Cunha, chefe da sucursal de ‘Veja’ em Porto Alegre, na época, e o pessoal do ‘Coojornal’. Viajei na lembrança lembrando dos tempos heróicos daquela batalha que a imprensa travou contra a ditadura. Sem desdouro para ninguém – na democracia, é muito mais fácil ser heróico, e denunciar. Tem risco, mas é mais fácil. Naquele tempo…

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