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Luiz Carlos Merten

05 Janeiro 2007 | 20h47

Tive um daqueles meus dias punks, correnhdo para fechar matérias e deixar outras prontas porque viajo amanhã para o Uruguai. Passo uma semana de férias, volto no próximo fim de semana e saio mais outra semana, ainda não sei para onde. Já falei de Diamante de Sangue, ao qual quero voltar. Não acho Edward Zwick um autor, mas como contador de histórias, as de O Último Samurai e, agora, Diamante de Sangue me agradaram muito. Acho que Diamante comporta um paralelo interessante com O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles, um pouco por causa do visual, a paleta fabulosa de cores da África, mas também pela crítica do Fernando à indústria farmacêutica que usa os africanos como cobaias de seus medicamentos e a do Zwick à indústria de jóias, que compra diamantes de sangue, vindos de áreas de combates, e parte do dinheiro ainda é desviada para financiar a guerra. Leonardo DiCaprio foi indicado duas vezes para o Globo de Ouro de melhor ator, por Os Infiltrados, do Scorsese, e por este filme, no qual ele está melhor. Não queria deixar de postar alguma coisa sobre os lançamentos desta sexta, mas tem também Dias Selvagens, o segundo filme do Wong Kar-wai, que nunca havia estreado no Brasil e entra para substituir o outro Kar-wai, 2046, que ficou exatamente um ano em cartaz no Belas Artes. Dias Selvagens tem uma história com elementos típicos do autor. O cara, Leslie Cheung, que vive à deriva, que foi criadoi por uma prostituta e não sabe quem foi sua mãe. Um cara com dificuldade para se fixar, para se relacionar. Zanin, meu colega Luiz Zanin Oricchio, já tinha me dito que o filme é muito sensual (deixa a gente em ponto de bala!) e também que a trilha tem bolero, gênero musical pelo qual Kar-wai é louco. A questão é que a história nunca é o mais importantre nos filmes desse diretor e sim, o estilo, a maneira como Kar-wai trabalha o tempo e desconstrói a narrativa por meio de elipses. Neste sentido, Dias Selvagens ainda não é perfeito como Felizes Juntos, a obra-prima do diretor, nem Amor à Flor da Pele, que é um dos filmes mais belos e refinados a que já assisti, embora sem a visceralidade da love story gay ambientada em Buenos Aires. Mas gostei muito e também prometo voltar a Dias Selvagens, que espero que vocês vejam logo.

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