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Luiz Carlos Merten

14 Setembro 2009 | 12h52

Vocês talvez creditem meu pouco entusiasmo por ‘9 – A Salvação’ à minha birra pelo Tim Burton, mas, para dizer a verdade, fiquei bem animado com as imagens que já vi da Alice dele, com Johnny Depp, mas o ‘9’ realmente não deu. Vi o filme na semana passada em Phoenix, retornando ao Brasil. Desta vez, juntaram-se dois que não engulo com muita facilidade, Burton e aquele russo, o Timur Berkmambetov, de ‘Guardiães da Noite’ e ‘O Procurado’, com Angelina Jolie, que era horroroso (mas sei de um monte de gente que gosta). Todo mundo compara ‘9’ às animações precedentes de Burton, como ‘O Estranho Mundo de Jack’, e de novo ele não dirige, sendo somente o produtor. ‘9’ conta a história de um robozinho, mas não é bem um robô e sim um boneco de pano, do qual depende a salvação da Terra, após a revolta das máquinas. Honestamente, fiquei meio desconcertado porque a decantada ‘originalidade’ do diretor Shane Acker – que havia feito um curta de dez minutos com o personagem – me pareceu uma mistura de futurismo expressionista alemão com ‘Wall-E’ (menos sentimental, talvez) e ‘A Guerra dos Mundos’. A imagem do pequenino 9 face à máquina gigantesca repete Tom Cruise encarando o alienígena e a máquina que suga o interior das pessoas é, de novo, Spielberg, com o ET que coleta as espécies humanas para colocar em seu bojo. Não vi nada original e confesso que me aborreci, conferindo cada minuto que faltava no relógio e lamentando não ter ficado no hotel em que estava para curtir o espaço, que era bem bacana. ‘9 – A Salvação’ estava apontado para estrear agora, mas a distribuidora PlayArte atirou o filme para mais adiante. A própria PlayArte vai distribuir outro filme a que também assisti (em Phoenix), este na chegada. ‘The Time Traveler’s Wife’ é uma adaptação do livro de Audrey Niffenegger que virou cult desde que foi publicado nos EUA, acho que em 2002 ou 2003. Inicialmente, era um projeto de Brad Pitt com sua amada (na época) Jennifer Aniston, mas aí Angelina Jolie entrou em cena e… By-bye friend. O curioso é que, agora, ao assistir a ‘Te Amarei para Sempre’ – será o título no Brasil, onde estreia em 16 de outubro –, o espectador poderá pensar que se trata de um (sub)produto na vertente de ‘O Estranho Caso de Benjamin Button’, até porque Brad Pitt continua no projeto como produtor. Robert Schwendke, daquele filme com Jodie Foster – ‘Plano de Vôo’ –, dirige a história do homem que sofre de um distúrbio genético e vive desaparecendo, o que o transforma num viajante do tempo, já que ele sempre volta, mas a partir de certo momento o retorno anunciado vira medo, ou antecipação, da própria morte, que também é anunciada. Eric Bana faz o papel, sua paciente mulher – Penélope? – é Rachel McAdams e o filme é mais ‘Em Algum Lugar do Passado’ do que outra coisa qualquer. O tema ‘científico’ vira uma comédia romântica bem carregada, não sei se as pessoas vão gostar. Eu gostei de ver, na expectativa do vôo que me levaria a Page e, dali, a Monument Valley, mas não me atreveria a definir o filme como bom. Pronto. Matei esses dois coelhos com a mesma cajadada. Ainda devo o post sobre ‘Distrito 9’. Aguardem!