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Estranho na própria terra

Luiz Carlos Merten

02 Novembro 2006 | 21h31

Ainda não sei quem venceu o prêmio Bandeira Paulista, como melhor filme da Mostra, de acordo com o júri internacional. Gostaria muito que fosse um dos quatro brasileiros que estavam na competição, selecionados, com mais 10 filmes, pelo público da Mostra, dentro daquele formato que Leon Cakoff instituiu há anos. No Rio, o vencedor do prêmio do público foi O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias. Quem sabe O Ano não ganhou aqui também? Gosto muito do filme do Cao Hamburger, que já entrou em cartaz (hoje) em cerca de 70 salas de todo o País. Cao usou essa história de um garoto durante a ditadura militar para falar de exílio interior, de desterro dentro da própria terra da gente. A situação de Mauro, cujos pais ingressaram na clandestinidade e ele é ‘adotado’ pela comunidade judaica do Bom Retiro, me pareceu muito bonita, mas também muito triste. Como O Céu de Suely, do Karin Aïnouz, foi daqueles filmes que me deram vontade de chorar baixinho – pelo Mauro, um pouco, mas principalmente por mim e por todos aqueles que, nos anos da ditadura, se sentiam numa espécie de limbo, exilados no Brasil. Veja O Ano, independentemente de ter sido premiado (ou não) na Mostra. É um belo filme e nós vamos ter de voltar a falar sobre ele. Quando regressar de Nova York, prometo.

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