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Luiz Carlos Merten

26 Junho 2012 | 00h22

Telefonei a meu amigo Dib Carneiro Neto depois de assistir ao ‘Amazing Spider Man’ e ele quis logo saber o que havia achado do filme de Marc Webber, ou Webb. Nem me deu tempo de responder e foi logo dizendo, imitando meu gauchês, que eu devia ter adorado. “Tu gosta dum blockbuster.” Só dos bons, e O Espetacular Homem-Aranha é (muito bom). O filme praticamente repete, com ligeiras variações de personagens, o primeiro filme da trilogia de Sam Raimi. O garoto órfão, criado pelos tios. Hostilizado na escola, que é picado pela aranha e passa por uma mutação, descobre seus poderes, a sexualidade. Se a história é parecida, senão exatamente igual, o que faz a diferença? A direção, e o ator. No cinema, já dizia Michel Mourlet, sempre citado por meu amigo Jefferson Barros, ‘tout est dans la mise-en-scène’. Marc Webb havia feito ‘500 Dias com Ela’, sobre outro adolescente e sua crise de identidade, a descvoberta do amor e a sua dolorosa perda. Confesso que tento me lembrar e já me esqueci de Tobey Maguire no papel. Andrew Garfield parece mais teen, é mais frágil, é perfeito. E Emma Stone, meu Deus. te cuida Zoey Deschanel. Serão agora 500 noites com Gwen, antes da tragédia relatada no número 121 da comic original. É curioso, mas quando entrevistei Sam Raimi em Tóquio, pelo 3, ele me disse que o que estava mostrando no fecho de sua trilogia não poderia ter sido feito antes, porque não havia tecnologia, quando dirigiu o 1 e o 2. Tive agora essa sensação – a tecnologia avançou muito mais, os voos ficaram ainda mais… Perfeitos? E eu amei a Sally Field no papel da ‘tia’.Na sequência da exibição, houve um chat com Garfield e Emma, que estavam em Nova York. A mistura de jornalistas e fãs pode ter sido uma boa sacada do marketing da Sony, mas não deu para aproveitar grande coisa. Gostaria de ter falado com Webb, a quem entrevistei longamente no Festival do Rio, quando apresentou ‘500 Dias’. O rito de passagem, o amadurecimento – são o seu território. Garfield sempre sonhou ser o Homem-Aranha, era seu herói preferido, desde menino. Não, ele não quer ser ‘o’ Spider Man, acha que o títrulo cabe bem em Tobey Masguire, que vai ser sempre o Homem-Aranha dele, mas se preparou e viveu o personagem cada momento. ‘Boa noite’ e ‘eu amo São Paulo’ foram duas coisas, o português que aprendeu fazendo Eduardo Saverin em ‘A Rede Social’. Como foi a preparação? Intensa, mas Webb deixou sempre um espaço para a improvisação e a criação dos atores. Não sei de vocês, que ainda vão ter de esperar até dia 6. Eu me emocionei muito com o espetacular Homem-Aranha. E o bom é que, com todoo espetráculo, o filme nãso perde a chave intimista. Foi o que disseram os atores. Emma, depois de ‘Histórias Cruzadas’, acha que ‘O Espetacular Homem-Aranha’ não foi tão diferente assim. E não é mesmo, se você olhar sem preconceito.