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Especial para a Mariana

Luiz Carlos Merten

18 Setembro 2007 | 12h47

Acho que este post vai interessar especialmente à Mariana, que está louca para ver 3:10 to Yuma. Eu também estava, Mariana, e fui correndo. Gostei. Tem a essência do filme antigo do Delmer Daves, com Glenn Ford e Van Heflin – o rancheiro que assume como um desafio embarcar pistoleiro no trem do título original –, mas me pareceu mais complexo. No Brasil, o filme antigo se chamou Galante e Sanguinário e o pistoleiro é mais charmoso ainda na nova versão, interpretado pelo Russell Crowe. Ele tem uma atuação de astro, mas gostei mais do Christian Bale na pele do rancheiro, que tem problemas com o filho. O garoto, no fundo, gostaria que o pai reagisse aos poderosos que o hostilizam como o pistoleiro. Cria-se um curioso elo do pai com o bandido sanguinário e eu não vou dizer como a coisa se soluciona. Delmer Daves, há 50 e tantos anos, reinventou o tema do trem de Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann (e que John Sturges, em Duelo de Titãs, de 1958, também reaproveitou). Sei que sou minoria absoluta, mas não sou muito fã do clássico de Zinnemann, com seu tempo real acompanhado por todos aqueles relógios – queria ver ele marcar o tempo sem os ponteiros, a toda hora. Galante e Sanguinário é uma raridade – um western cheio de suspense, trafegando bem entre os dois gêneros. Quero voltar ao Christian Bale. Também acho, Mariana, que o cara é um camaleão. Talvez seja o melhor ator de sua geração, mas talvez por ser ator e não ‘astro’, ele não obtém o reconhecimento que merece. Não sei se vai vir por este filme, ou melhor, duvido, porque o holofote aqui é para o Russell Crowe. Elaine Guerini, que estava comigo em Los Angeles, me jura que Christian Bale, que também está no filme do Todd Haynes sobre Bob Dylan, é melhor do que Cate Blanchett, que foi melhor atriz em Veneza pelo papel – os dois e mais um monte de gente interpretam Bob Dylan –, e Brad Pitt, que foi melhor ator por the Assassination of Jesse James. Só fiquei em dúvida numa coisa. Em Los Angeles, 3:10 passa sob o selo da Fox. Fui checar com a assessoria da empresa qual o título brasileiro – e a data de estréia no Brasil – e quebrei a cara. Ninguém sabia me dizer se o filme é mesmo da Fox. Eu, hein?