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Luiz Carlos Merten

15 Maio 2012 | 19h39

CANNES – Uma das coisas boas de um grande festival como Cannes é a possibilidade que oferece para se realizar grandes entrevistas, com diretores que fazem a diferença. Já marquei com Ken Loach, Sergei Loznitsa, Abbas Kiarostami. E não só diretores. Almocei com Neusa Barbosa, Orlando Margarido, Pedro Butcher, Paulo Sérgio Almeida e José Carlos Avellar. Jantei com Flávia Guerra e Tiago Stivaletti. Amanhã, começa a correria e, por certo, vamos continuar nos encontrando, mas o ritmo já será outro, as preocupações, outras. Adoro caminhar pela Croisette, como fiz hoje, saboreando os pôsteres que anunciam (grandes?) filmes a caminho. Duas mulheres se pegando? Rachel McAdams e Naomi Rapace em ‘Passion’, de Brian De Palma. Batman e Homem-Aranha. O novo James Bond, ‘Skyfall’. Marion Cotillard e Joaquin Phoenix, de volta, uma dupla de sonho no novo James Gray, ‘Low Life’. E Monica Bellucci. O tempo está passando também para ela, veja-se ‘As Idades do Amor’, em cartaz no Brasil, mas a Malena continua um mulherão. As marquises anunciam que Monica estará na nova comédia de Danièle Thompson., ‘Des Gens Qui s’Embrassent’. Uma das mais belas homenagens que o cinema já prestopu ao eterno feminino foi para a Bellucci. ‘Malena’, de Giuseppe Tornatore. Logo na abertura do filme, o menino, um guri, está na praça com os amigos. O piá ainda uisa calças curetas, é um frangote. Mas, acom,panhando cxom os olhos o movimento de Monica/Malena, a gente assiste ao volume crescer dentro da calça. A primeira ereção a gente não se esquece. Estou falando em projetos, aleatoriamente, não nos cartazes dos filmes da competição, ou das mostras paralelas, e eles tambvém estão aqui, espalhados por toda parte. Esse clima de mundanidade e de festa é inebriante. Fazer filmes é tão difícil. Colocá-los nesta vitrine, mais ainda. Por que não festejar?  O hotel em que estou, o Embassy, é cheio de fotos, como eles dizem, de légende. No meu quarto tem Elizabeth Taylor e o marido Mike Todd, aqui em Cannes; Federico Fellini, Marcello Mastroianni e Anita Ekberg, no ano de ‘La Dolce Vita’; e Romy Schneider e Alain Delon, fotografados num almoço com Luchino Visconti. Meu Deus! Dá pra ficar babando diante de gente tão bonita, que incendiou nosso imaginário – o meu, com certeza. Mudando agora de assunto, lembrei-me de que ontem, na Redação, meu editor – Ubiratan Brasil – me contou do DVD que comprou e eu digo, sigam o exemplo dele. Corram! ‘Escravas do Medo’, Experiment in Terror, de Blake Edwards. No começo de sua carreira, e ainda, ou já, nos anos 1960, Edwards dirigiu na TV séries como ‘Mr. Lucky’ e ‘Peter Gunn’. Incorporando ao cinema técnicas de TV – como Alfred Hitchcock havia feito em ‘Psicose’ -, ele realizou ‘Dias de Vinho e Rosas’, Days of Wine and Roses, um dos mais belos e sofridos filmes sobre alcoolismo, com Jacxk Lemmon e Lee Remick. No Brasil, chamou-se ‘Vício Maldito’. De novo com Lee Remick, e Stefanie Powers, e Glenn Ford,  fez o experimento no terror, sobre duas mulherres (irmãs) acossadas por um  serial killer e o policial que as protege. ‘Escravas do Medo’ é um thriller que, como ‘Psicose’, leva o suspense e o medo ao limite do terror. E a trilha de Henri Mancini, o parceiro sempre inspirado de Blake Eswards, é gloriosa. Se não me engano, Bira disse que o lançamento é da Magnus Opus. Se for, é pirata, com certteza, só o filme, sem extras, mas o Bira, que (re)viu, disse que a cópia é boa e a fotografia em preto e branco é esplendorosa. Misturei alhos com bugalhos, sorry. Mas estava louco para fazer essa chamada para ‘Escravas do Medo’. Vejkam e depois me digam se não curtiram.