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Luiz Carlos Merten

18 Dezembro 2006 | 15h18

Fui ver hoje de manhã Eragon, que o especialista em efeitos Stefen Fangmeier, estreando na direção, adaptou da série de livros de Christopher Paolini. O filme será o presente de Natal da Fox para os fãs de aventuras, devendo estrear na segunda-feira, dia 25. Achei bem legal. Só posso falar por mim, mas tenho uma necessidade muito grande de aventura, de fantasia, de ação na tela. Por mais que goste de Kiarostami, de Manoel de Oliveira, acho que morreria de tédio tendo de assistir somente aos filmes deles. Gosto dessas histórias maiores que a vida, com personagens capazes de grandes gestos e sacrifícios. O Jeremy Irons, como Brom, sacrificando-se pelo Eragon, é uma coisa de que gosto, que preciso ver. Minha formação como leitor se deu por meio da Coleção Terramarear, da Editora Melhoramentos, cujos livros eu devorava paralelamente aos westerns, aventuras mitológicas e nos mares a que assistia no Cine Rival, no bairro Auxiliadora, em Porto Alegre. Nunca tentei convencer ninguém, nem meus alunos da Escola Paulista de Artes, quando dava ali o curso de cinema dessa minha preferência. Eles já sabiam, e até ironizavam, que determinados filmes são coisas ‘minhas’. Nunca consegui convencer nem a minha filha. A Lúcia foi assistir comigo a O Senhor dos Anéis, o primeiro da série. Eu saí do cinema em êxtase, debulhado em lágrimas. E aí, Lúcia? A resposta dela – “É um desses filmes de guri, que tu gosta.” Gauchês puro. Não acho que o Tolkien seja coisa de criança. Nos anos 50, o Auden, grande crítico, já defendia os livros dele como obra-primas. Não estou comparando, vejam bem, embora o próprio Christopher Paolini talvez busque uma aproximação. Eragon, afinal de contas, lembra muito Aragorn para não ter sido intencional. Achei o garoto Ed Speelers ótimo e a ligação dele com a ‘dragoa’, que não apenas fala com a voz de Rachel Weisz, mas também tem os traços dela, uma coisa muito bonita. Temo despertar curiosidade, expectativa demais pelo filme, que não é O Senhor dos Anéis, mas gostei. Acho impressionante que aquele universo – é um universo – tenha sido criado por um garoto de, quanto?, 15/16 anos. Paolini está com 19 anos e já está no terceiro livro da série, fechando a trilogia da herança. É maravilhoso que um jovem, em plena era da imagem, crie personagens como estes, que refletem sobre a fantasia (e sua necessidade) e ainda dizem frases que parecem obras de um adulto que acumulou a sabedoria da cultura clássica.