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‘Era Uma Vez…’

Luiz Carlos Merten

24 Outubro 2011 | 23h09

Não me lembro que tanta gente tivesse gostado de ‘Era Uma Vez na Anatólia’, em Cannes. O que senti foi um sentimento geral de decepção – ou pelo menos desapontamento -, face a outros filmes do autor turco Nuri Bilge Ceylan. Eu, que gostei desde a primeira hora, me sentia sobrando. ‘Era Uma Vez na Anatólia’ é um dos grandes filmes que você pode ver na Mostra. Confesso que ando na contramão. Tenho gostado de coisas que talvez não sejam exatamente de ‘arte’. Gostei de ‘Dieci Inverni’ e até fiquei com vontade de voltar a Veneza, no inverno. Cheguei a viajar nas lembranças dos filmes que me mostraram Veneza invernal – ‘Anônimo Veneziano’, de Enrico Maria Salerno, com Florinda Bolkan, claro, e ‘Inverno de Sangue em Veneza’, de Nicholas Roeg. Folheando o catálogo da Mostra, dois filmes me chamaram a atenção. Um já vi, ‘The Giants’. Até agora tento entender porque o título no catálogo é este, já que o filme é falado em francês e, nos créditos, consta ‘Les Géants’. Confesso que o que me atraiu, de cara, foi a sinopse, o rito de passagem de três garotos, um clima meio ‘Conta Comigo’. O cult de Rob Reiner já inspirou um dos grandes filmes do ano – ‘Super 8’, de JJ Abrams. Nenhum outro filme me passou essa sensação de ‘intermediário’. Como na própria vida, a adolescência, imprensada entre a infância e a maturidade, é um momento de passagem, sem começo nem fim. Agora, coloca isso em filme. Bouli Lanners colocou e o filme dele me fascinou. O outro ainda não vi. Hoje à tarde tive de ir a Alphaville para ver ‘Um Dia’ e entrevistar, amanhã, a diretora Lone Scherfig. Vou tentar ver ‘Gosto de Olhar as Meninas’ amanhã. O que me atraiu não foi o diretor, Pierre Louf, nem o elenco, mas a própria história. Outro filme sobre teens, contra o fundo das eleições presidenciais de 1981, na França. A aurora da era François Mittérrrand. Tomara que seja bom.