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Luiz Carlos Merten

19 Agosto 2010 | 09h20

Sim, Rogério, era eu ontem à tarde, ali na Galeria do Rock. Cortei o cabelo – num salão em outra galeria que fica em frente da do rock – e depois passei por ali. Quer dizer que tu estavas indo para casa para ver ‘Stalker’? Em Gramado, encontrei o curador do festival, José Carlos Avellar, e ele me deu um pequeno volume sobre o próximo ciclo que está promovendo no Rio, no Instituto Moreira Salles, justamente sobre Andrei Tarkovski. Cheguei a pensar em ir ao Rio num fim de semana, para tentar ver alguns desses filmes. Sei que há um culto a Tarkovski e o seu livro ‘Esculpir o Tempo’ é Bíblia para colegas que admiro, e respeito. Antônio Gonçalves Filho tem sua santíssima trindade – Pasolini, Bresson e Tarkovski. Três autores intimistas que investigam a linguagem, trabalham no registro do mito (Pasolinji) e fazem interrogações filosóficas (metafísicas?) sobre a essência do homem. Confesso que somente me interesso pelo Tarkovski de ‘Andrei Roublev’ e, talvez, pelo de ‘Nostalgia’. De tanto escrever, acho que a título de brincadeira, que o título de ‘O Sacrifício’ tinha valor de adverência, terminei por me convencer disso. Nunca entrei em ‘Solaris’ e ‘O Espelho’ sempre me pareceu o ó – de ‘ó, filme ruim’. Avellar tentou me convencer. Disse que mais do que dar uma chance a Tarkovski, eu devo me dar uma chance de gostar dos filmes dele. Ainda não descartei a ida ao Rio para o ciclo. Mas confesso, de novo, mesmo com risco de te decepcionar, Rogério, que ‘meu’ Tarkovski – o único? – é o do sino, em ‘Andrei Roublev’.