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Luiz Carlos Merten

28 Abril 2010 | 11h09

RECIFE – Aleluia! Cheguei segunda à tarde à capital pernambucana, debaixo de chuva, e desde então vinha tentando postar, sem sucesso. Havia virado um estranho no meu ninho, no meu blog. O sistema não reconhecia minha senha, é mole? Eis que agora tentei e… Pá! Cá estou. O 14º Cine PE deslanchou segunda à noite com a homenagem a Guel Arraes e a exibição, fora de concurso – em première absoluta – de ‘O Bem-Amado’. Devo ser o único da minha geração, mas não tenho registro de haver visto, uminha vez que fosse, a novela de Dias Gomes ou a série nela baseada. Minha experiência com Paulo Gracindo como o lendário Odorico Paraguaçu resume-se às imagens que Gracindo Jr. utiliza no documentário que dedicou a seu pai. Havia grande expectativa pewlo filme – eu tinha – e a sessão foi emocionante. Guel, filho do ex-governador Miguel Arraes e tio do atual governador, estava em casa, em família. Foi aplaudido de pé. Ontem pela manhã, ele me admitiu a emoção. Disse que não imaginava que aquelas milhares de pessoas fossem se levantar, coisa que talvez nunca ocorra de novo em sua vida. “O Bem-Amado’ foi bem recebido e o filme é divertido, tem méritos. Guel investe no humor eficiente, sem se preocupar tanto com as inovações – pesquisas – de linguagem porque sua motivação, aqui, é ideológica. Até pela filiação, a política lhe interessa e a motivação aqui foi refletir sobre o assunto. Sou a última pessoa habilitada a comparar a versão cinematográfica com a da TV (mas a de teatro era ruim). Sei que as Cajazeiras da TV eram carolas e corróidas pelo desejo. Agora, são peruas e estão com o Diabo no coro. Guel também explora op antagonismo entre Odorico, o Bem-Amado, e Zeca Diabo, interpretado por José Wilker. A sessão foi legal, mas a apoteose da noite ficou por conta de ‘Recife Frio’, de Kleber Mendonça Filho. Já havia visto o curta em Tiradentes, e gostado, mas rever o filme aqui, com aquela plateia, foi maravilhoso. Gostyo muito do curta de Kleber. Gostei mais ainda. Da primeira vez, a piada apanha a gente e o olho fica preso, digamos, nas trucagens para contar a história das transformações ocorridas no Recife, quando aqui se instala uma frente fria. Só que a piada  vira uma coisa seríssima e o filme ganha um upgrade quando entra em cena a família que troica de acomodações com a doméstica. O filme é muito bem feito, muito pensado. Amei! Independentemente de formato, cuirta longa ou o escambau, ‘Recife Frio’ é grande.