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Luiz Carlos Merten

12 Fevereiro 2011 | 09h14

BERLIM – Aleluia! enfim, um bom filme. O alemão Ulrich Kohler mostrou hoje o primeiro filme digno de integrar a competicão de um grande festival como Berlim. Mas ‘Sleeping Sickness’ não foi uma unanimidade, muito menos entre os coleguinhas do Brasil. Um tanto pejorativamente, o filme está sendo definido como o momento Apichatpong da Berlinale de 2011. A floresta e seu encanto mágico viraram segredos, ou exclusividade, do tailandês ‘Joe’, pelo menos é o que todo mundo acha. Achei o filme muito interessante. A doença do sono vira metáfora da África e das relações entre colonizados e colonizadores. Há um médico branco que recebe a família no começo, a mulher e a filha voltam para a Europa, ele permanece em Camarões e tem um filho com uma nativa. De repente, muda o ponto de vista e entra outro médico – negro e gay – de Paris, filho de congoleses, que é um estranho no ninho. O cara veio avaliar o programa que o primeiro médico desenvolve (e que pede mais recursos). A globalização chegou à África? O mercado será a solução para a erradicação da miséria? Além da metafora da doença do sono, Ulrich Kohler cria outra. Ele filma a estrada que avança, mas há sempre um empecilho no meio do caminho. No final, durante uma caçada noturna, um dos médicos desaparece e surge um hipopótamo. Nada parece fazer muito sentido, mas tudo se encaixa, desde que o espectador faça sua parte. Estou indo ver um filme dos irmãos Ridley e Tony Scott, quer dizer, produzido por eles e dirigido por Kevin McDonald. Vocês já devem ter ouvido9 falar de ‘A Life in a Day’, filme de colagem sobre vídeos que as pessoas foram solicitadas a enviar para o You Tube, sobre assuntos pré-determinados. Na sequência, vou falar com José Padilha e Wagner Moura. ‘Tropa de Elite 2’ bombou ontem à noite aqui na Berlinale. A sessão estava cheia, o filme foi aplaudido, mais do que na sessão de imprensa, pela manhã. Vamos ver o que Padilha e o Capitão Nascimento me dizem. Wagner fez o maior sucesso em Sundance. Aliás, ontem perguntei para o jornalista croata que defendeu o filme – numa mesa com coleguinhas da imprensa internacional – o que ele achava de Wagner. ‘Fucking great’, foi a resposta, mas o cara também ficou impressionadíssimo com o restante do elenco (e especialmente Irandhir Santos). Quando lhe disse que entre ‘Tropa’ 1 e 2, Wagner fez Hamlet no teatro, ele entendeu tudo, as dúvidas existenciais de Nascimento, o dilaceramento interior  etc. Estou indo. Daqui a pouco volto para mais notícias.