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Luiz Carlos Merten

30 Outubro 2006 | 19h11

Estou em estado de graça. Entrevistei agora a Florinda Bolkan e ela foi muito simpática, falando de tudo, filmes, Visconti, Petri, e deixando-se fotografar com a cachorrinha Carlota Joaquina, que tem crachá da Mostra (com direito a foto!) e acompanha Flori nas sessões do júri. É muito divertido falar com Florinda porque ela tem senso de humor, é inteligente e conviveu com grandes artistas. Ou seja, é o tipo da pessoa que tem o que contar (e conta bem). Falando de política e cinema, Florinda lembrou a reunião de diretores de que participou em Paris, levada por Nadine Trintignant, para discutir a participação da classe cinematográfica no célebre Maio de 68. Foi hilariante, não a participação, mas a forma como ela conta. Florinda chegou usando um modelito de Courrèges branco, bolsa Hermès e encontrou aquela gente, grandes nomes do cinema francês, pobremente vestida, ou vestida com desleixo. “Mais c’est ça le cinéma?” (Mas é isso o cinema?), perguntou a Nadine, que achou muita graça e nunca deixou de comentar o fato, sempre que se encontraram, depois. Do lounge da Mostra, onde houve o encontro com Florinda, maravilhosa, fui direto para o Crowne Plaza, para outro encontro notável, com Don Angel Tavira, o ator mexicano de El Violín. Don Angel e a mulher foram caminhar na Paulista, onde ele comprou sapatos. Quando entrei no quarto, estava deitado, descansando. Don Angel não é só uma grande figura. Também é um grande artista e a alma do filme do Francisco Vargas, premiado em Cannes e Gramado. Don Angel não tem a mão direita. Ata o arco para tocar e toca com muita emoção. Você pode vê-lo daqui a pouco, 20h30, no CineSesc. Don Angel e a mulher, Elpidia, vão apresentar o filme do Francisco Vargas, que é muito legal. À tarde, no hotel, ele ensaiou com Geraldo Taracena, que também é ator no filme. Perguntei a Elpidia de onde vinha o Don no nome dele? Pois deve ser de respeito, como reconhecimento ao cidadão e artista que é. Don Angel, ator não profissional, é ‘maestro’, professor de gerações de mexicanos no departamento de Guerrero, onde mora.