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Encontros notaveis

Luiz Carlos Merten

20 Julho 2008 | 06h56

WROCLAW – Havia passado no business center soh para dar uma noticia dos meus ultimos dias aqui no festival de cinema. Tivemos ontem um debate muito interessante sobre o cinema da retomada – depois eu entro em detalhes, mas havia bastante gente interessada na discussaoh -, mais um coquetel promovido pela embaixada do Brasil, logo apos o concerto de Michael Nieman, o compositor de Peter Greenaway, que foi acompanhado de sua soprano, uma australiana maravilhosa, cujo nome preciso descobrir. Naoh imaginava que o coquetel fosse ser taoh bom para mim. Encontrei o Nieman e a soprano dele e naoh resisti. Fui para cima dos dois, seguido pela brasileirada que baixou como um enxame sobre a dupla. Michael foi otimo – hoje ele apresenta o acompanhamento ao vivo de `O Homem com a Camera`, de Dziga-Vertov. Contei-lhe que Greenaway vai filmar no Brasil e ele perguntou o que. Disse-lhe que um filme pornografico, ele fez uma observacaoh que adorei – disse que hah tempos ouve falar deste projeto, mas naoh creh que Greenaway seja o homem para falar de sexo e pornografia. Sexo naoh eh a praia dele (de Greenaway), diz o Nieman, e eu que sempre pensei isso, nas muitas entrevistas que fiz com o cara. Achei finalmente alguem mais proximo do cineasta para ratificar o que secretamente pensava. Tambem estavam no coquetel o Terence Davies, homenageado com uma retrospectiva aqui em Wroclaw, e o Krszyztof Zanussi, de quem falamos outro dia, sobre `Possessaoh`. Vou poder conversar hoje com o Zanussi, no fim da tarde, depois de ver `Black Sun` – e as 10 da noite espereo assistir, enfim, a `Possessaoh`, com a Isabelle Adjani. O papo mais legal foi com Terence Davies, que hah oito anos naoh filmava. Seu ultimo filme, `The House of Myrtle`, baseado em Edith Wharton, foi o maior sucesso de publico de sua carreira e, mesmo assim, ele naoh encontrou produitores interessados em seus novos projetos. Davies falou muito mal do sistema ingles de producaoh. Revelou que, para naoh enlouquecer, se refugiou na poesia e produziu muita coisa ao longo destes oito anos. Fez tambem este documentario sobre `Liverpoool`, sua cidade, voltando-se, mais uma vez, para a musica e para as origens operarias de sua familia. Tantos encontros notaveis. Wroclaw estah sendo o paraiso para mim. Encontrei ateh um representante do Instituto Sueco, Patrik Andersson, que havia conhecido em Faro. Ele estah aqui jah definindo o que serah a retrospectiva que o festival vai dedicar no ano que vem ao cinema sueco, como estamos tendo este ano as do cinema brasileiro e neo-zelandes, mais as homenagens a Terence Davies e Theo Angelopoulos. Como Bergman estah bem mapeado, Patrik vai sugerir uma homenagem a Jan Troel. Apresentei-ao Sergio, do Sesc – sorry, mas tropeco no nome, naoh sei ateh agora se eh Spinelli ou Espinelli -, na expectativa de que resulte alguma parceria e que a gente possa ver em Saoh Paulo um pouco da obra do Troel ou de quem mais for possivel, entre os grandes do cinema da Suecia.