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Luiz Carlos Merten

07 Julho 2010 | 14h19

Fui ontem ao Rio para assistir à noite, no VivaRio, a ‘Encontro Explosivo’, que trouxe Tom Cruise e Cameron Diaz ao Brasil. Os dois desfilaram pelo tapete vermelho e deram entrevistas somente aos coleguinhas que ali estavam. Arrependi-me de ter ido apenas para ver o filme. Não me havia credenciado e, na hora, não conseguia localizar a assessoria da Fox para forçar minha entrada no tapete vermelho, tal era a confusão. Mas confesso que me deprimi, me achando inútil ao acompanhar, pelo telão, os esforços dos coleguinhas para chamar a atenção da dupla. Rodrigo Fonseca – que inveja!, mas da boa, hein Rodrigaço – conversou com Cameron e depois com Cruise, que gesticulava bastante ao responder a suas perguntas – que não faço ideia qual fossem, já que, após o comecinho, com Cameron, o som foi cortado lá dentro e a gente conseguia seguir somente as imagens. O ponto alto foi uma repórter ou apresentadora que não conhecia, mas depois me disseram ser Sabrina. Desde que Judy Holiday imortalizou a loira burra em ‘Nascida Ontem’, a força – e inteligência – das loiras não deve ser subestimada. Sabrina, obviamente, não domina o inglês e levou uma cola. O público, dentro do VivaRio, morria de rir ao vê-la ler as perguntas que tinha de fazer a Tom Cruise. Mas seja porque a pronúncia não fosse boa, ou o quê, ele não devia entendê-la e assim o próprio Cruise lia a pergunta e depois respondia para a câmera. Hilário. A repórter, que não é nada burra, se valeu do clima para ‘manipular’o astro. Ela forçou Mr. Cruise a todo tipo de micagens diante da câmera, até a dançar. A imagem deve estar no You Tube e foi, para mim, o destaque do tapete vermelho de ‘Encontro Explosivo’ no Rio. De resto, metade das celebridades presentes eu não conhecia. Deve ser gente do BBB ou coisa que o valha, sorry. Quanto ao filme, propriamente dito, havia ouvido as piores referências a ‘Knight and Day’, título original, durante a junket da Sony em Cancún. O filme teve junkets nos EUA e em Sevilha (Espanha). A maioria detestou, mas obviamente entraram pela porta errada. No palco, em mau português, Cruise disse que Cameron e ele fizeram o filme ‘para vocês’ (o público) e esperavam que gostássemos. Sempre quis ver um filme assim, de ação no limite do surreal, onde nada é explicado. Cruise, acusado de traição, faz o agente caçado pelo verdadeiro culpado (Peter Skarsgaard). Ele é mais super-homem que o próprio Superman, mas o roteiro não explica como ele escapa de tantas situações limites. Na maioria delas, Cameron, parceira de viagem, é drogada por Cruise e nem vê o que acontece, permitindo à narrativa avançar aos saltos – elipses? – e resolvendo o problema da (falta de) verossimilhança. É tolice dizer que o filme é inverossímil porque a ideia é esta – fazer com que o espectador acredite no que não pode ser nem existir. Existem momentos, dois ou três, em que a narrativa volta para explicar alguma coisa, mas, na verdade, quando isso ocorre, é para falsear o movimento seguinte. Estranhava muito que James Mangold fosse o diretor. Ele não parecia ter o perfil para um filme desses, mas depois entendi. Mangold é um ‘realista’. Fez ‘Cop Land’, ‘Johnny & June’ e a nova versão de ‘3:10 to Yuma’, com Russell Crowe e Christian Bale. Cruise e Cameron precisavam de um diretor como ele para se manter com o pés no chão mesmo que a ação os faça ficar dando cambalhotas (no ar), na maior parte do tempo. Não vou dizer que ‘Encontro Explosivo’ é bom, mas me diverti bastante. E, ah, sim, Cameron Diaz tem uma bela bunda. O vestido, o tecido, ajudava, desenhando os glúteos, mas alguns ângulos dela no telão mostravam que Miss Diaz está em grande forma (mais uma bem amada?).