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Luiz Carlos Merten

16 Junho 2011 | 17h03

Há um momento de ‘Encontros ao Acaso’ em que Jeffrey Donovan pergunta a Ashley Judd quando foi a última vez que ela beijou um homem sóbria. Ela meio que dá uma resposta cínica, ‘Foi fulano de tal, no canto do ringue de patinação da escola’, querendo indicar que foi há muito tempo, mas o mal-estar é evidente. Neste dias de molho, ‘Encontros ao Acaso’, que vi parcialmente – tive de sair para almoçar -, foi meu segundo filme com Ashley. O primeiro foi aquele policial com Morgan Freeman em que ambos caçam serial killer que mantém um monte de mulheres presas numa cisterna, no meio da floresta. O post é para dizer que sempre me amarrei muito em Ashley Judd. Ela teve seu momento, estrelando um filme atrás do outro, quando foi mesmo? De repente, parou, teria de pesquisar para descobrir por quê. Talvez tenha sido o teatro. Durante uma junkett, estava em Nova York e tentei conseguir ingresso para vê-la num revival de ‘Gata em Teto de Zinco Quente’. A peça de Tennessee Williams estava (re)estreando, não consegui lugar e quando voltei à Broadway, em outra junkett, bye-bye Ashley. Ela fazia Maggie the Cat, que Liz Taylor imortalizou no cinema, no clássico de Richard Brooks com Paul Newman. Deus que Liz e Newman formavam um casal de uma beleza extraordinária! E talentosos. Lembro-me da história que li várias vezes. Liz havia ficado viúva de Mike Todd. O estúdio a liberou para desistir da filmagem, mas ela preferiu seguir em frente. Só que, nos ensaios, estava desligada. Newman foi manifestar sua preocupação ao diretor. Disse que achava que ela não conseguiria. Brooks lhe pediu que tivesse paciência. Garantiu que Liz era um bicho cinematográfico e durante a filmagem ela ia reagir. Nâo deu outra. Newman admitia que teve de revisar seus conceitos de representação para cinema, que quase foi atropelado por sua leading lady. Feita a ressalva de Liz, volto a Ashley. Nunca vi nem verei sua Maggie the cat, mas no cinema Ashley sempre me intrigou por sua persona ambivalente. Nos thrillers e nos dramas, ela faz sempre a personagem que vacila. Bêbada, viciada em sexo. Mas nunca é a frágil. É durona, resiste ao tranco. ‘Encontros ao Acaso’ é um drama rural. América profunda, trilha country. O herói é meio bronco, mas um bom homem. O filme de Joey Lauren Adams certamente não é grande, mas gostaria de ter visto até o final. Só espero, zapeando, cair em outro filme com a bela Ashley.

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