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Luiz Carlos Merten

03 Março 2010 | 12h02

E o Oscar vai para… Estamos na reta final para a entrega dos prêmios da Academia de Hollywood, no domingo à noite. Chegou a hora de me ocupar do prêmio mais cobiçado do cinema. Todo ano é a mesma coisa. Não acompanho muito as discussões, as bolsas de apostas, mas chega o momento em que as exigências do jornal me levam a encarar o tema. Nenhum Oscar recente envolve tanto desafio. A academia mudou as regras de votação, aumentou o número de indicados para melhor filme. Agora, são dez. E por que mudar?

No ano passado, o show, exibido pela TV, teve a terceira pior audiência da história do prêmio. A academia gastou US$ 31 milhões e perdeu dinheiro, porque os anunciantes seguem as leis do mercado. Para que investir dinheiro em algo que não está interessando ao público? A palavra de ordem é – reconquistar o público. O show está mudando para ser mais ágil e atraente. O aumento no número de indicados também visa criar um leque maior de opções para o público torcer. A academia apostava em filmes com bom diálogo de público. Com exceção, talvez, de ‘Avatar’ e ‘Up – Altas Aventuras’, os votantes preferiram ampliar o número de concorrentes miúras ou independentes. O próprio filme que polariza a disputa com a fantasia de James Cameron – ‘Guerra ao Terror’, de sua ex-mulher, Kathryn Bigelow – teve um lançamento pequeno nos EUA (e no Brasil sairia diretamente em DVD, se não tivesse sido descoberto pela crítica). Quem leva? O mais sensato é apostar na divisão do prêmio.

‘Avatar’ é o melhor filme, sacramentado pelo público (mais de US$ 2 bilhões de receita), mas Kathryn fica com a estatueta de direção, o que seria uma forma de aplicar um puxão de orelhas em James Cameron. Ele é respeitado, com certeza, mas não amado. Os colegas e executivos dos estúdios têm tido de engolir sua arrogância e megalomania. É hora de dar o troco. Será mesmo? O Oscar, de qualquer maneira, será azul como os hominhos do planeta Pandora. Pode-se antecipar uma enxurrada de prêmios técnicos para as inovações de Cameron. Os prêmios de elenco também não estão fáceis. Tudo bem com os coadjuvantes – Christopher Waltz (‘Bastardos Inglórios’) e Mo’nique (‘Preciosa’) não são mais concorrentes. São unanimidades e será uma desagradável surpresa se o prêmio não sacramentar o que todo mundo espera. Colin Firth é o melhor ator, mas é o ano de Jeff Bridges e o curioso é que o eterno concorrente poderá ganhar logo dois Oscars seguidos, a menos que a academia prefira esperar pelo ano que vem.

Explico – os irmãos Coen já anunciaram que vão lançar ‘Rooster Cogburn’, com Jeff Bridges no papel do xerife balofo e caolho, no fim do ano e o remake do western de Henry Hathaway – ‘Bravura Indômita’ – se antecipa como uma sensação, além de ser bom lembrar que o original valeu a John Wayne um mais do que merecido prêmio em 1969. Tenho para mim que Carey Mulligan é a melhor atriz, por ‘Uma Educação’, e seria bom apostar no novo, mas estou com essa sensação, talvez equivocada, de que Meryl Streep leva. Tenho amigos que torcem por Miss Simpatia, Sandra Bullock, mas vamos ser racionais. Há quase 30 anos Meryl foi melhor atriz (por ‘A Escolha de Sofia’, em 1982) e agora, depois de décadas como unanimidade por seu talento dramático, ela vive este momento único de ser recordista de bilheteria. Enfim, manifestem-se – e na nova fase do blog, uma vez aprovados, vocês não terão mais de esperar pela validação do e-mail, podendo dialogar entre si e obter respostas minhas a perguntas diretas, em vez de novos posts, como tem sido a regra.

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