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Luiz Carlos Merten

07 Outubro 2006 | 09h18

Postava ontem o texto sobre José Wilker, no Festival do Rio, quando tive de sair correndo para ver o show de Paulinho da Viola no Teatro Fecap. Longa vida a Paulinho, que se apresenta com o filho, entre outros integrantes de um conjunto porreta. Paulinho e o garoto poderiam estar no projeto Pais e Filhos do Sesc Pinheiros, que já mostrou Caetano e Moreno Veloso (não sei se houve outros, estava fora nas duas últimas semanas). Samba, choro e a voz do Paulinho. O nirvana existe. Você vai direto para o sétimo céu. E ele conta a história do buraco negro na vida de Cartola, como introdução para uma música do genial compositor. Teve um momento da vida dele em que Cartola sumiu. As pessas até achavam que tinha morrido. Lírio Ferreira e Hilton Lacerda transformam o fato (e suas numerosas versões) no buraco negro dentro de seu documentário exibido na Première Brasil. Cartola, o documentário, é lindo. Era o meu preferido na Première Brasil de 2006, por mais que seja sensível à importância social de À Margem do Concreto, de Evaldo Mocarzel, que foi o preferido pelo júri presidido por Nelson Pereira dos Santos. Vamos fechar o desvio sobre Cartola, Paulinho da Viola (cujo show termina neste fim de semana) e voltar ao Wilker. Perguntei onde andava a maravilhosa mulher dele, Guilhermina Guinle, que conheci no set de Inesquecível, o novo filme de Paulo Sérgio Almeida, e me vez cair o queixo. Na reportagem que escrevi no Estado, arrisquei – disse que poderia estar nascendo uma estrela. Guilhermina não estava na cerimônia de encerramento da Première Brasil porque teve de vir a São Paulo para resolver não importa que problema. Mas o Paulo Sérgio, que também encontrei no Cine Odeon BR, me garantiu – “Você não errou. Guilhermina está maravilhosa. É uma estrela.” Por mais que esse negócio de estrela seja coisa de Hollywood dos anos dourados, o fascínio das mulheres é imorredouro no cinema. Khouri dizia que não existe cinema sem elas. No Rio, ao conhecer Irène Jacob, lembrei do Khouri ao constatar que Kieslowski deve ter sido acima de tudo um felizardo, reunindo Juliette Binoche, Julie Delpy e Irène na sua trilogia das cores. Não sei se Guilhermina será mesmo inesquecível, mas não custa esperar. E torcer para que sim.