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Luiz Carlos Merten

20 Março 2007 | 16h09

Nada a ver com a canção do Roberto Carlos, mas vejam como são as coisas. Fui ler os comentários sobre o post do Besson e encontrei o do Aldir, de Boston, que faz referência a B13. Assisti ao filme no sábado à tarde e até pensei em postar alguma coisa, mas aí vi o Tora! Tora! Tora! e terminei desviando minha atenção. Vi parte de B13 há um par de meses na TV paga. Não entendi grande coisa, porque vi somente a parte final, mas achei o filme muito louco, com aquele desfecho. No sábado, zapeava pelos canais da rede Telecine, como costumo fazer, quando peguei o filme do Morel recém iniciado. É a história do agente que se une ao presidiário para combater a gangue que controla a parte podre da cidade. O cara que faz o tira tem um jeito meio Vin Diesel e me atraiu a história da irmã do preso, que o traficante, para se vingar, transforma numa cadela drogada. Sem ofensa – como em Cão de Briga, com o Jet Li, ela vive acorrentada aos pés do vilão. Gostei das lutas, mas não sei se concordo com o Aldir, quando diz que o filme é uma denúncia tipo Cidade de Deus. É tudo over, exagerado demais, mas me diverti com o uso que a dupla principal faz da mídia para denunciar, aí sim, as autoridades que, no fundo,queriam que ambos armassem e detonassem uma bomba (e não salvassem a população da área conflagrada). O filme teria passsado em minha vida – teria visto e esquecido – , se o Aldir não me forçasse agora a pensar um pouco nele. Quero acrescentar que ontem também peguei um filme quase no desfecho. Uma história de artes marciais com uma heroína jovem que enfrenta um vilão de branco. Os dois brigam sobre uma plataforma e a câmera descreve um movimento circular vertiginoso ao redor de ambos. De repente, as duas figuras ficam invertidas, dando-se pontapés que doem na gente. Aquilo me lembrou as perspectivas descalibradas dos quadros do Escher. Minha filha que passava pela sala deu uma parada, olhou e disse – Ah, é Azumi. Perguntei o que era Azumi e a Lúcia disse disse que haviam chegado dois DVDs, Azumi e Azumi 2. Taí. Vejam em DVD ou procurem se ainda passa este mês na TV paga. Sobre essa coisa de luta, quero acrescentar algo. Sou o tipo do espectador que precisa descarregar a adrenalina no cinema. Gosto muito de filme/cabeça, mas não faço muita distinção entre filme de arte e um bom kung fu. Aliás, nas duas ou três vezes que entrevistei Arnaud Desplechin, de Reis e Rainha, nosso papo foi sempre o mesmo. Ele não entende a divisão que certos críticos fazem entre seus filmes e um bom policial, mesmo hollywoodiano. Adoro exercitar a chamada massa cinzenta, mas também preciso esbaldar o Id numa boa cena de pancadaria. Quem já sentou ao meu lado em filmes de terror, ou de ação, sabe que não fico quieto. Vibrei com as cenas de lutas de B13, como com as de Azumi. Sinto muito se isso decepciona vocês, mas a tal identificação projetiva do cinema funciona muito comigo. Sou do tipo que pensa, mas acredito no Fuller, quando diz que cinema é emoção.

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