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Luiz Carlos Merten

13 Fevereiro 2011 | 11h48

BERLIM – Cannes, para citar outro grande festiva (o maior), tem dado espaço à produção em 3-D, mas a Berlinale hoje radicalizou. Dedica o domingo ao formto. Começou de manhã cedo com ‘Contos da Noite’, animação de Michel Ocelot, prossrguiu meio-dia, horário local, com a ‘Pina’, de Wim Wenders, e daqui a pouco vamos ver ‘Cave of the Forgotten Dreams’, de Werner Herzog. Dois documentários e uma ficção. Alessandro Giannini me perguntou agora – estamos na sala de imprensa -, se, a propósito de ‘Pina’, se pode dizer que nasceu o 3-D de arte. É mais ou menos isso, mas o Gia não gostou tanto. Quer dizer, não ficou chapado cmo eu.  Wenders vale-se do formato para nos projetar dentro da criação de Pina Bausch. Estou sem fala. Se o festival terminasse agora, e ‘Pina’ estivesse em competição, já teria levado o Urso de Ouro, pelo menos para mim. Momento brasileiro – ela cia uma c oreografia para ‘Leãozinho’, cantado por Caetano. Puta filme bonito, meu, Nunca vi nada parecdo em termos de dança. Inclusive, vou ter de confessar. O impacto foi tão grande que, momentaneamente, diminuiu meu entusiasmo pelo ‘Cisne Negro’ de Darren Aronofsky. Só uma palavrinha sobre o Ocelot. O filme mostra uma equipe que propõe (e cria) pequenas animações. São os ‘Contos da Noite’ – africanos, tibetanos, europeus medievais. Achei bem legal, e curioo. O imaginário de Ocelot é bem diverso, seu estilo também, do de John Lasseter e seus associados na Pixar/Disney. Adoro essa diversidade, mas o caso de ‘Pina’ é mais radical. Em mais de um momento, quando via, as lágrimas (silenciosas) estavam escorrendo. Puro gozo estético. A Pina era foda.