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Cultura » Em Roma, com Tom Hanks

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Luiz Carlos Merten

04 Maio 2009 | 04h47

ROMA – Pronto, pela procedência vocês já sabem onde estou. Havia anunciado que viria à Itália para a junket de ‘Anjos e Demônios’. Assisti ontem ao segundo filme da série com o dublê de semiólogo e detetive Robert Langdon. O filme reúne o mesmo ‘team’ do anterior, ‘O Código da Vinci’, o diretor Ron Howard e o astro Tom Hanks. É melhor, muito melhor, o que talvez não queira dizer muita coisa, porque, como me disse o próprio Hanks, na entrevista individual – one a one – que fiz com ele, ‘os críticos quiseram nos matar por causa do Code.’ Lembro-me que, em Cannes, quando o ‘Código’ estreou, os coleguinhas quase quiseram me matar, porque há um trecho do filme do qual gosto muito. Aqueles dois três minutos em flash-back que contam a história do assassino albino me parecem uma coisa de gênio pela concisão. Apesar do seu sucesso, não creio que Howard seja um grande diretor, nem mesmo um bom diretor, mas tenho lá minhas fraquezas e gosto de ‘Missing’, o western que ele fez com Tommy Lee Jones e Cate Blanchett (e do qual nunca me lembro o título em português). Disse isso mais uma vez para ele, assim como lembrei de ‘Papai Precisa Casar’, a comédia de Minnelli que ele fez no começo dos anos 60, no papel do filho de Glenn Ford. Ron Howard lembrou-se disso e me disse que só eu cito aquele filme para ele. Ele ainda andava de calças curtas na época de ‘The Courtship of Eddie’s Father’, portanto9 não se lembra de nada, mas repassou o que aprendeu com George Lucas (‘Loucuras de Verão’) e Don Siegel (‘O Último Pistoleiro’). Lucas lhe mostrou quanto o entusiasmo é necessário e com Siegel ele aprendeu tudo sobre a montagem. Não vou fazer a crítica de ‘Anjos e Demônios’ agora. A entrevista com Tom Hanks estará amanhã no ‘Caderno 2’ e o tapete vermelho, a estréia mundial de ‘Angels and Demons’ ocorrerá à noite no Palácio da Música de Roma, que abriga o festival da cidade. Tom Hanks é legal, Mr. Nice Guy. Me explicou porque não se interessa por fazer bad guys. Se vocês não lerem a entrevista no ‘Estado’ eu conto depois. O filme inverte a cronologia em relação ao ‘Código’. O livro é anterior, mas a história agora se passa depois e Robert Langdon desembarca em Roma, em pleno conclave, após a morte do papa, como um inimigo da Igreja. Vou contar uma coisa para vocês. Essas israelenses não são moles. Após Audrey Taoutou entra em cena Ayelet Zurer. Preparem-se. Ela trabalhou em ‘Munique’, mas sinceramente não me lembrava dela no filme de Spielberg (do qual gosto tanto). Ayelet é um mulherão, não bela num sentido convencional, mas uma beleza madura, real (e muito muito sexy). Apesar da química, não rola nada entre Robert Langdon e ela. Cobrei de Tom Hanks. A resposta estará amanhã no ‘Caderno 2’.