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Cultura » Em memória de Guillaume Depardieu

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Luiz Carlos Merten

13 Outubro 2008 | 18h42

Estou em choque. Estive cedo na redação para fechar os filmes na TV e uma entrevista que fiz com Ary Fontoura, sobre ‘A Guerra dos Rocha’. Sei que um monte de gente acha o filme do Jorge Fernando uma m…, mas eu quero dizer, mesmo com risco de ser apedrejado, que me diverti com o Ary e que acho as cenas dele com Nicete Bruno um regalo. As ‘duas’ são ótimas, e quem assistiu ao trailer sabe porque estou colocando no feminino. Fui ver depois o ‘Birdwatchers’, que abre a Mostra na quinta-feira, e entrevistei o diretor Marco Bechis, que já conhecia desde ‘Garagem Olimpo’, do qual gosto bastante. Meu estado de choque não vem daí, mas da notícia que me deu há pouco meu colega Bira, Ubiratan Brasil. Morreu Guillaume Depardieu. O filho de Gérard morreu de uma infecção generalizada que já o vinhja acometendo há tempos, não sei se com alguma relação com o acidente que já levara a uma amputação da sua perna. Não sei de vocês, mas eu achava Guillaume um p… ator. Gostei dele em ‘Pola X’, e o cara, fodão, me desculpem a grosseria, dispensou dublê nas cenas de sexo explícito, o que deve ser uma surpresa para quem acha que ator só representa vestido ou que não consegue fazer sexo e interpretar ao mesmo tempo. Guillaume foi melhor ainda como o militar obcecado pela Duqwuesa de Langeais na deslumbrante adaptação que Jacques Rivette fez do romance de Balzac, e que intitulou, copmo o folhetim balzaquiano, ‘Ne Touichez pas la Hache’. Para arrematar, vi no Festival do Rio o ‘Versalhes’, no qual Guillaume está maravilhoso. Tudo bem, Guillaume não é Heath Ledger e nenhuma dessas interpretações será considerada tão marcante quanto a do Coringa, até porque os filmes também não vão fazer, ou não fizeram, o sucesso de ‘Batman, Cavaleiro das Trevas’. Mas acho que as perdas, para a arte, são proporcionais.