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Luiz Carlos Merten

15 Novembro 2010 | 11h36

Havia prometido parar de postar sobre ‘A Suprema Felicidade’, mas é mais forte, não resisto. Os comentários no blog me chegam sempre como e-mails. Abri o do Edson Bueno. O filme do Jabor é mal montado, realizado, interpretado. É, realmente, Edson. Aquela Mariana Lima é uma vergonha, não é mesmo? E o Nanini, no desfecho, existe coisa mais constrangedora? Se tivesse um buraco na sala, eu me jogava. E a Marilyn da Tammi di Colafiori, que coisa mais ruim, cara. Mas acho que o pior, não é mesmo?, é o garoto interpelado pelo Paulinho, quando o herói, auto centrado – uma acusação que é feita ao filme -, diz ao amigo que ele não sabe o que é o amor e o cara ama o Paulinho em segredo. É, menino. Muito mal interpretado. Quero dizer que existem poucos momentos tão vexatórios de interpretação na história do cinema. A sofrível Annie Girardot de ‘Rocco e Seus Irmãos’, o Brando insuficiente de ‘Sindicato de Ladrões’, a Vivien Leigh que, como a Mariana Lima na cena de seu desabafo final, não tem noção do que seja aquela Blanche em  ‘Uma Rua Chamada Pecado’. Estou sendo irônico, claro. Com todo respeito, vai ver o filme de novo, Edson. Não quero nem discutir os tais clichês. Todo filme é sempre um movimento de mão dupla. Ele te devolve (em dobro) o que tu consegues colocar, ou retirar dele. Eu admito que não consigo colocar nem retirar nada de ‘Um Parto de Viagem’. É uma limitação minha, mas até eu não diria que os atores de Todd Phillips são medíocres (porque não são – Robert Downey Jr. está melhor e até mais viril, pasmem!, do que como Homem de Ferro). Te dá uma chance, Edson, de ver como ‘A Suprema Felicidade’ é bem interpretado.