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Luiz Carlos Merten

10 Abril 2010 | 10h28

RIO – Cá estou eu de novo. Rio! Ontem ainda choveu bastante (me contaram), mas quando cheguei, mais para o final da tarde – perdi meu vôo fazendo matérias para o ‘Caderno 2’ de hoje e enfrentando um trânsito cruel de sexta-feira, a caminho do aeroporto -, havia só uma garoa fininha. O tempo ainda não firmou. Hoje de amanhã, no hotel, o céu parecia azul como em música de Roberto Carlos, mas agora já está nublado. Enfim, tenho agora à tarde meu debate no É Tudo Verdade sobre Alain Cavalier e, à noite, espero poder assistir a ‘O Contestado – Restos Mortais’, que Sylvio Back, o cacique do Sul (como o chamava Glauber Rocha), fez, de certa forma (imagino) refazendo como documentário a ficção de ‘Guerra dos Pelados’, no começo de sua carreira. Tomei ontem o maior susto assistindo ao documentário de José Padilha que abriu a etapa carioca do festival. No set de ‘Tropa de Elite 2’, não havia falado sobre esse filme com o Padilha. Li a sinopse do próprio festival, que fala no resultado dos contatos de pesquisadores brancos, europeus e norte-americanos, com os ianomamis da Venezuela e agora confesso que aquilo não me entusiasmou muito. Fiquei imaginando o que Padilha faria com aquilo. Um dos tais pesquisadores, ligado a Lévi-Strauss – seu nome é Lizot -, abusou sexualmente de garotos indígenas e criou na selva o seu paraíso privado de pedofilia e perversão. Assisti ao filme na segunda sala e, quando terminou,  o debate com Padilha, após a projeção, já ia avançado na primeira. Ele não terminou o ‘Tropa 2’ ontem, como esperava. Ainda tem uns quatro dias de filmagem (acho que por causa das chuvas) e hoje vai a Brasília, mas amanhã já estará de volta ao Rio. Quero entrevistá-lo para uma matéria na quinta, quando ‘Os Segredos da Tribo’ – é o título do documentário – passa em São Paulo. Percebi na plateia um movimento, acho que de antropólogos, que contestavam o que Padilha dizia, mas a mais agitada de todos não chegou a se manifestar e eu penso – intuo – que teria havido bate-boca, se ela falasse. Um filme como ‘Os Segredos’ é forte, polêmico e vai dar o que falar. Não percam! E cuidem hoje a programação do É Tudo Verdade em São Paulo. ‘Difamação’ passou ontem aqui no Rio. Em geral, Amir Labaki inverte a programação. Os filmes passam primeiro numa cidade (Rio ou São Paulo) e, mais para o fim, na outra. Por essa lógica, ‘Difamação’ ficaria para adiante aí em Sampa. E vejam também ‘Uma Noite em 67’!