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Luiz Carlos Merten

06 Junho 2010 | 23h07

Cá estou eu de volta a São Paulo. Cheguei no fim da tarde e encontrei a cidade tumultuada pela Parada do Orgulho Gay. Por falar nisso, comentei outro dia que, melhor do que assistir a ‘Sex and the City 2’, era ficar atento às reações do público do filme. Paulo Sampaio fez a matéria no ‘Caderno 2’. Saiu no sábado. É hilária. Prosseguindo com o post anterior – ontem -, quero dizer que fiz entrevistas muito bacanas no Festival Varilux, noRio. Conversei, sucessivamente, com Jacques Cluzaud, co-diretor (com Jacques Perrin) de ‘Oceanos’; Adel Benchérif, ator de ‘O Profeta’; Laurent Tirard, diretor de ‘O Pequeno Nicolau’; e Philippe Godeau, diretor de ‘Um Novo Caminho’ (e produtor de ‘Largo Winch 2’, que Jerôme Sale conclui atualmente, com o reforço de Sharon Stone no elenco). Adorei conversar com Godeau, com quem compartilhei informações sobre ‘Mademoiselle Chambon’, do qual ele também gosta bastante. À noite, o mau tempo impediu a projeção, ao ar livre, de ‘Oceanos’ no Forte de Copacabana e o público foi transferido para o salão Copacabana, do Sofitel, onde foi servido um coqwuetel. Encontrei Irene Ferraz, da Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Conversamos longamente e eu ainda tive tempo de conversar/entrevistar Régine Hatchondo, diretora-geral da Unifrance, que trouxe a delegação francesa que veio para o Varilux. Estou achando a maior graça. Fico aqui dando crédito, portanto, promovendo a marca de lentes, logo eu que só uso óculos de camelô (sim, acreditem!).  Entre as entrevistas de ontem, no Rio, e o coquetel, à noite, fui ver ‘Faça-me Feliz’, Fais-moi Plaisir, de Emmanuel Mouret. Vivi uma experiência curiosa. O filme passa às 2 da tarde no Estação Ipanema. Cheguei com meia hora de antecedência, após minhas entrevistas, e louco de fome. Havia um café ao lado, como um sanduíche (de peito de peru). Havia um casal jovem, que também lanchava. Foram ver o mesmo filme. Na saída, voltei ao café e eles também. Não resistio e perguntei o que haviam achado de ‘Faça-me Feliz’. O cara era francês, falava português com sortaque carregado, ela era brasileira. Ele gostou, como eu, ela detestou. Observei que talvez fosse um filme masculino. Ela só viu clichês no filme, e não achou a menor graça. Emmanuel Mouret tem alguma coisa de Jacques Tati/M. Hulot, como catalisador de tragédias. Dá tudo errado com ele. Sem entrar em detalhes, o herói está afoito para fazer sexo com a mulher, mas ela resiste. Ele conta uma história, sobre como ‘quase’ ficou com outra. A mulher, que vai trabalhar, o libera para sair com a concorrente. Ela é filha do presidente da França. Seguem-ase situações absurdas, como se o filme fosse de Tati. No final, o casal reencontra-se, elecontinua cheio de vontade de fazer sexo, ela… Veja ‘Faça-me Feliz’. Mouret diz coisas muito interessantes – sérias – sobre o casal, mas o que me encantou foi o clima. Já é tarde, só queria dar notícias. Nâo sei quando, ou se, ‘Fais-moi Plaisir’ passa em São Paulo. Amanhã, o Festival Varilux exibe aqui ‘Oceanos’ e ‘O Dia das Saia’, com Isabelle Adjani, que não tem distribuição para o Brasil (e passou no Eurochanenl). ‘O Dia’ integra a programação do festival como uma escolha muito pessoal da atriz (estrela?) Anna Mouglalis, a Chanel, que fez questão de aperesentá-lo para os cariocas. Valeu a pena. Quanto aos demais filmes, continuo amanhã.