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Luiz Carlos Merten

04 Julho 2007 | 15h59

Quem foi mesmo que entrou no blog e me pediu para comentar filmes mais atuais? A Mara? Vamos dar uma geralzona. Estou aqui com a lista de DVDs mais retirados da semana, que a agência Estado estabelece consultando várias locadoras de São Paulo (Alternativa Vídeo, Blockbuster, Canal Vídeo etc). Nestes primeiros dias de julho, o DVD mais retirado – para locação, portanto – é Déjà Vu, o thriller de Tony Scott com Denzel Washington. Dá para ver, mas eu confesso que tinha uma expectativa maior, um pouco porque gostei (mesmo) de Chamas da Vingança, o thriller anterior de Tony com Denzel, filmado na Cidade do México, e também porque o filme me rendeu uma entrevista muito interessante com Jerry Buckheimer, na qual o homem que inflacionou os custos em Hollywood, com seus filmes de grande orçamento, reclamou que, em Hollywood, o dinheiro está substituindo a inteligência. Acho fascinante a idéia de Déjà Vu, mas tem um miolo ali, aquela história da agência do governo que faz uma experiência que permite a Denzel viajar no tempo, que não me convence. A lista dos dez mais prossegue com Letra e Música, no qual é impossível deixar de rir com Hugh Grant como roqueiro decadente que rebola em shows para coroas, e O Amor não Tira Férias. O quarto filme é mais interessante – Diamante de Sangue, com a melhor atuação de Leonardo DiCaprio nos últimos tempos (desde que se associou a Scorsese…) –, seguido por The Secret/O Segredo, Babel, Apocalypto, Borat, Uma Noite no Museu e O Labirinto do Fauno. O melhor de todos é O Labirinto, não gosto muito de Babel mas acho interessante conferir/discutir a visão do mexicano Iñárritu sobre o mundo globalizado, admito – mesmo correndo o risco de receber pedradas – que me impressiona a violência de Mel Gibson em Apocalypto e confesso que me divirto muito com Sasha Baron Coen em Borat. Pronto! Comentamos os filmes da atualidade? Não há muito mais a dizer, é verdade, talvez porque todos esses filmes já foram largamente comentados por mim no blog e no jornal. Agora, pensem bem – foi até a Eliana Souza, pauteira do Caderno 2, quem me chamou a atenção. Uma meia-dúzia de filmes, incluindo 13 Homens e Um Novo Segredo, Shrek, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado e o que resta de O Homem-Aranha 3 e Piratas do Caribe 3, está ocupando massivamente, há várias semanas, o circuito exibidor brasileiro. Por mais que goste de Homem-Aranha e tenha achado legal O Surfista, confesso que não tenho mais assunto nem vontade de ficar discutindo os mesmos filmes. (A propósito, vocês não comentaram nada do Quarteto 2. Houve mais polêmica antes que vocês vissem o filme, quando postei o meu primeiro texto sobre o assunto, após a cabine de imprensa. A maioria foi contra o flme do Tim Story por causa do Quarteto 1, que é fraco e o próprio diretor sabe disso. O segundo melhora bastante, eu acho). Um filme que eu adorei, Um Lugar na Platéia, estourou no Rio, mas não aqui – por que? Isso, sim, seria interessante discutir. Mas, de volta à Eliana Souza, a quem chamamos de Lili, a observação dela é que um novo blockbuster vem reduzir ainda mais, na sexta, o espaço da produção alternativa a Hollywood – Ratatouille. Ó céus! Sei que é o fim, que ideologicamente eu teria de protestar contra essa dominação exercida por Hollywood. Mas Ratatouille é tão bom! A cena ‘proustiana’ do crítico é tão genial. A propósito, a simples menção do título provocou uma observação de João Luiz Sampaio – o mais jovem crítico de música erudita do País –, que leu, não sei onde, que Ratatouille foi fracasso nos EUA ou não foi tão bem quanto as animações precedentes da Disney/Pixar. É verdade? Aguardo os comentários de vocês, mas, se for verdade, será a prova definitiva de que o filme, já que trata de gastronomia, é mesmo um biscoito fino para paladares refinados.