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Em campanha

Luiz Carlos Merten

07 Outubro 2012 | 12h21

RIO – É domingo de eleição e estamos em plena campanha, Rodrigo Fonseca e eu, para que nossos candidatos vençam  – o Festival do Rio. O meu é, por enquanto, ‘A Busca’, de Luciano Moura, que só não leva o prêmio de melhor ator (para Wagner Moura) se der a louca no júri. O dele é ‘O Gorila’, de José Eduardo Belmonte, e Rodrigo joga suas fichas para que o Redentor seja de Otávio Muller. Tenho grande apreço por Belmonte, mas mesmo achando ‘O Gorila’ melhor que ‘Billi Pig’ – honestamente, qualquer coisa é melhor que ‘Billi Pig’ -, tenho saudades de ‘Meu Mundo em Perigo’ e ‘Se Nada Mais Der Certo’. Não estou muito seguro de que a terceira via esteja sendo boa para ele, mas ver ‘O Gorila’ terminou sendo uma experiência curiosa porque o Odeon estava cheio, sentei-me lá em cima, no poleiro, ao lado de um cara que, obviamente, se divertia mais que eu. Humor carioca, sabem? Ele ria com uma vontade que eu me perguntava – ‘Que filme esse sujeito está vendo?’ A trama envolve o trauma que o personagem de Muller sofreu com a mãe na infância e, depois de ver o que me pareceu o centésimo flash-back com Maria Manoela (a mãe), eu queria morrer porque a ”mensagem’ me parecia assimilada e o Belmonte continuava insistindo nela. Mas é preciso reconhecer que o elenco é bom, Alessandra Negrini e Mariana Ximenes são lindas, e eu até entendo o entusiasmo do Rodrigo pela primeira, mas novamente acho que será loucura do júri ignorar que Leandra Leal em ‘Éden’, de Bruno Safadi, é ‘A’ atriz deste festival. Leandra faz uma grávida e o filme é um thriller meio de horror meio metafísico em que ela enfrenta pastor religioso que quer usar sua maternidade como parte de uma campanha arregimentar fieis. O cara é sinistro e João Miguel está genial no papel – mas quando é que João Miguel não é genial? No desfecho, Leandra tem de escolher entre ter o filho sozinha ou na igreja. É lindo, mas o filme, como a maioria dessa tendência que consiste em retratar os evangélicos, corre o risco de virar maldito. No debate, Bruno disse justamente isso – que fez o filme autoral que queria, mas não sabe avaliar seu potencial porque os especialistas de mercado garantem que, enquanto os evangélicos avançam em números, os filmes sobre eles encolhem nas bilheterias. Me emocionou que Bruno Safadi, fazendo um filme sobre uma mãe, o tenha dedicado a seu filho, que vai nascer em fevereiro. Bacana, cara. E adorei a história contada pelo João. Como parte dos preparativos para compor o personagem, ele foi ‘pregar’ na Cinelândia.Foi tão convincente que as pessoas chegavam para ele em busca de socorro espiritual. João será sempre uma alternativa para melhor ator, mas ele já não ganhou no ano passado com o Matraga de Vinicius Coimbra? Se a memória não me trai, ganhou, sim. Hoje à tarde vejo – finalmente – o filme de Kleber Mendonça Filho e, na sequência, medio o debate sobre ‘O Som ao Redor’. À noite, minha meta é ver ‘Argo’, de Ben Affleck.