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Luiz Carlos Merten

17 Agosto 2009 | 12h04

PORTO ALEGRE – Havia pedido para vocês checarem o título brasileiro de ‘The Pleasure Seekers’, de Jean Negulesco, mas vocês pelo visto esqueceram. O filme de 1964 chamou-se, no Brasil, ‘Em Busca do Prazer’, sobre as garotas norte-americanas que vão à Espanha em busca de aventuras (e amor, e sexo). Negulesco havia estabelecido esta fórmula dez anos antes, com ‘A Fonte dos Desejos’, interpretado por Jean Peters, Maggie McNamara e Dorothy McGuire, que eu, no post, troquei por Lauren Bacall. Acho muito engraçados esses atos falhos. Confesso que vacilei, tão ligo digitei o nome de Lauren, mas depois desliguei, o mesmo ocorrendo quando disse que ‘O Fundo do Coração’ era com Tali Shire (e não Teri Garr, como de fato é). Lauren, a glamourosa mulher de Humphrey Bogart, era modelo e como tal chegou a Hollywood, descoberta por Howard Hawks numa foto de capa e ele a chamou para fazer ‘Uma Aventura na Martinica’. Bogart era casado, teve uma paixão fulminante e se separou. Foi um escândalo, na época, e a imprensa de celebridades – Louella Parsons etc – achava que ia ser fogo de palha, mas ambos ficaram juntos até a morte de Boggie, vítima de um câncer no esôfago e um milhão de drinques de uísque, como escreveu François Truffaut. Lauren teve uma carreira importante (e independente do marido). Era muito diferente de Dorothy McGuire, que, para os padrões de Hollywood nos anos 40 e 50, era muito ‘ordinary people’, gente como a gente. Dorothy não era bonita, ou sua beleza não seguia os cânones, e por isso mesmo, mais de uma vez ela foi a ‘feia’ das tramas. Nada a ver com Lauren Bacall, portanto, mas isso não me impediu de cometer a troca. Dorothy faz parte do meu imaginário por dois filmes, em especial. ‘Friendly Persuasion’, Sublime Tentação, de William Wyler, de 1956, em que fazia a mulher do mórmon Gary Cooper, e ‘A Cidadela dos Robinsons’, de Ken Annakin, onde fazia outra esposa (e mãe), casada com o personagem de John Mills(acho que a produção da Disney é de 1961). O cinema criou grandes figuras de mães, desde a lendária Baranovskaia, que fez o filme clássico de V.I. Pudovkine, ‘Mat’, de 1926, até Katina Paxinou como Rosario Parondi em ‘Rocco e Seus Irmãos’, de meu mestre Visconti, de 1960, mas eu confesso que tenho uma queda por Dorothy McGuire e Jane Wyatt, que fazia a mãe da série ‘Papai Sabe Tudo’, que eu não perdia na casa de minha tia Maria, a primeira a ter TV, quando morava na Rua Mata Bacelar, no bairro Auxiliadora, aqui em Porto,lá se vão 50 e tantos anos. Que viagem, só para postar o título nacional da aventura turística do romeno Negulesco!