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Cultura » ‘Elvis e Madonna’

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Luiz Carlos Merten

31 Janeiro 2010 | 22h13

TIRADENTES – Ontem à noite, precedendo a cerimônia de premiação da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes, foram exibidos dois longas fora de concurso. O novo documentário de Marília Rocha, ‘A Falta Que nos Faz’, que aborda o universo feminino, como o anterior, ‘Aboio’, falava do masculino, e ‘Elvis e Madonna’. Conheço o diretor do segundo desde que integramos, Marcelo Laffite e eu, uma comissão da Petrobras que avaliava roteiros. Não vou lhe fazer a ofensa de dizer que não esperava nada do longa, mas a história da lésbica que engravida do travesti me surpreendeu, e encantou. ‘Elvis e Madonna’ é transgressivo sem deixar de ser sedutor para o grande público. Passou no Cine-Tenda, mas foi visto com o mesmo carinho que ‘Bailão’, o curta de Marcelo Caetano, na praça. ‘Elvis e Madonna’ é muito simpático. Não é perfeito, o que, no limite, ‘Estrada para Ythaca’ também não é, e no final talvez recorra a facilidades para se ‘solucionar’. Afinal, é um filme sobre gente que persegue seu sonho e nós, o público – eu, pelo menos -, torcemos para que dê certo. ‘Elvis e Madonna’ é inteligente, bem realizado – Luiz Carlos Lacerda, que ministrava aqui uma oficina, provocou: disse que o filme de Marcelo Laffite, seu ex-assistente, era um corpo estranho no universo experimental da Mostra de Tiradentes, justamente por ser um filme com roteiro, com começo, meio e fim -, mas eu acho que o que realmente faz a diferença é o elenco. Simone Spoladore, mais uma vez maravilhosa, agora no papel de lésbica, e Ivo Cotrim, que faz o travesti. Simone está na Record, na novela ‘Bela, a Feia’. Ivo também está na Record, no reality show ‘Fazenda’. São bons demais da conta, como se diz aqui em Minas. As cenas de sexo dão um nó da cabeça do público e pode até parecer voyeurismo, mas quando Simone acusa a penetração, você não precisa ver para perceber o que está ocorrendo. Simone é f… em tudo o que faz. E o Ivo, que não conhecia, vai fundo na sua Madonna, vivendo o papel com, absoluto despudor. Encontrei Marcelo Laffite na festa de encerramento e ele me disse que está conversando com Adhemar de Oliveira, do Espaço Unibanco. Seu filme também não tem distribuidor. Embora com começo, meio e fim, é outro filme sem circuito. Não é ‘mainstream’ e não tem cara de cinema de invenção. Quem vai defendê-lo? Eu, e espero que vocês. Um circuito para ‘Elvis e Madonna’. E, depois, quando estrear, me digam se não é bom…