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‘Elvis e Madonna’ em Tribeca

Luiz Carlos Merten

26 Março 2010 | 08h57

Passei o dia ontem muito mal, correndo para fazer as matérias programadas e tossindo feito louco, o que me ocasionava dores no peito. A médica do jornal me alarmou, dizendo que a tosse poderia ser justamente por algum problema cardíaco. Terminei a noite no HCOR, onde fiz minha cirurgia no final de 2008. Fiz eletrocardiograma, exame de sangue, tirei chapa do pulmão. Estou bem, mas a fadiga que venho sentindo, principalmente ao subir escadas, precisa ser pesquisada. Feito o relatório, enquanto esperava o resultado dos exames, comecei a ver ‘As Panteras’, na Globo, na TV colocada na sala de espera do saguão. Na hora H, a médica veio falar comigo. Eu tinha de prestar atenção, mas queria ver a explosão final do helicóptero na superaventura de McG. Não consegui… Aas Panteras’ pode ser ruim, mas se enquadra na categoria ‘bad movies I like’. É bem divertido e Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore são ótimas (a segunda,. tenho de admitir, é minha pantera favorita). Hoje, meu dia não será menos movimentado. Tenho novos textos para redigir, os do dia e os antecipados – viajo amanhã para Buenos Aires – e pelo menos dois filmes para ver, incluindo o novo de Lais Bodanzky. Na correria de ontem, não tive tempo de comentar. Jantei na quarta-feira com Elaine Guerini e Orlando Margarido, meus companheiros de viagem em Berlim, durante o festival, e Paris. Era o aniversário dele. Elaine me disse que vai a Tribeca e hoje eu vejo aqui no ‘Globo’, en passant, que ‘Elvis e Madonna’, de Marcelo Laffitte, será o único brasileiro da programação. Já escrevi que adorei o filme, quando o vi no Festival de Tiradentes, em janeiro. ‘Elvis e Madonna’ foi exibido no encerramento e, depois de uma semana de obras experimentais, por mais que tenha gostado da programação – e de alguns filmes gostei muito, mesmo -, estava querendo ver algo diferente, não digo mais ‘normal’ (em termos de circuito). ‘Elvis e Madonna’ foi perfeito. Os personagens são tão transgressores – uma lésbica motoqueira engravida de travesti – que o diretor não precisou carregar nas pesquisas de linguagem. A subversão já estava incorporada em ‘Elvis e Madonna’, no olhar de Marcelo Laffitte, que sabe que, de perto, ninguém é normal e humaniza seus personagens, fugindo aos clichês da ‘sapata’ e do ‘viado’. Adorei a Simone Spoladore, mas sou suspeito, porque acho que ela é uma das melhores e mais corajosas atrizes de sua geração (a melhor?). Mesmo assim, Simone ainda me surpreende, como aqui, mas surpresa tive foi com o Igor Cotrim, que faz ‘Madonna’. Tribeca é um cenário que parece ser atraente para o lançamento internacional do filme, tomara. O festival de Robert De Niro, como é conhecido, ocorre de 23 a 30 deste mês e terá, na competição, o francês ‘Gainsbourg, Je t’Aime, Moi non Plus’, de Johan Sfar, que vi em Paris em janeiro e achei meia boca. Arriba, Laffitte!