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Elegia para David Bowie, no céu do glam-rock

Luiz Carlos Merten

11 Janeiro 2016 | 10h50

Fiquei até de madrugada na redação do Estado, para o fechamento do impresso com o resultado do Globo de Ouro na capa do jornal. Rolou um estresse – nosso deadline era às 2 h (da manhã) e, nesse horário, ainda faltava a cereja do bolo, o vencedor de drama. Conseguimos segurar. Teria sido frustrante dar tudo, menos a vitória de O Regresso. Cheguei em casa por volta de 3 e até queria postar, mas o desejo de terminar a leitura do novo Assassins Creed, Submundo, foi mais forte. E hoje pela manhã tinha exames de laboratório. Voltei e pensei comigo – agora, sim, vamos aos posts. Fui atropelado pelo pessoal da rádio Estadão, que me chamou para o meu horário de segunda. Vamos de Globo de Ouro – e David Bowie, disseram. Por que David Bowie? Não sabia que tinha morrido. À espera do Globo, li ontem críticas sobre Blackstar, o novo disco/CD de Bowie, lançado na sexta, 8, em escala planetária, quando ele fazia 69 anos. Só elogios. Outros falarão melhor que eu do cantor e compositor, mas The Rise and Fall of Ziggy Stardust é um dos raros álbuns lendários de rock que conheço. E Ziggy, a persona andrógina de Bowie, é a base para Velvet Goldmnine, de Todd Haynes, que é o Cidadão Kane do glam-rock. Bowie foi importante. O camaleão do rock. Deixou sua marca na música, na moda, no comportamento – e no cinema. Labirinto, Apenas Um Gigolô – passo. O ‘meu’ David Bowie é o ator de Nicolas Roeg (O Homem Que Caiu na Terra, ficção científica, ouso dizer, quase tão seminal quanto o 2001 de Stanley Kubrick), Nagisa Oshima (Furyo, Em Nome da Honra, em que de desperta o desejo de Ryuichi Sakamoto naquele campo de prisioneiros da 2ª Guerra) e Tony Scott (Fome de Amor, em que Catherine Deneuve e ele, como vampiros, precisam do sangue jovem de Susan Sarandon). Estava louco para falar do Globo de Ouro. Estou tendo de enterrar David Bowie. Por essa não esperava.