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Luiz Carlos Merten

25 Fevereiro 2012 | 10h19

Véspera de Oscar, é hora de fazer os últimos prognósticos para os prêmios da Academia. Estou numa lan house do Centro. Há tempos que não vinha aqui para postar. Dei uma boa rodada até achar uma aberta, neste sábado de céu encoberto e abafado. Gravei ontem comentários para a Rádio Estadão ESPN e a Metrópole, de Salvador. Nunca fui de me ligar nos indicadores, mas este ano há um tal convergência nas escolhas das guilds que será uma surpresa se ‘O Artista’ não levar – melhor filme, diretor (Michel Hazanavicius) e ator (Jean Dujardin). Gosto demais do filme – desde Cannes, no ano passado – e, se fosse votante do Oscar, já teria cravado minha escolha. Bye-bye, Scorsese. É engraçado como, depois de defenderem os filmes de Martin com Leonardo DiCaprio, os coleguinhas são quase unânimes, pelo que ouço falar, em dizer que ‘A Invenção de Hugo Cabret’ é seu melhor filme em anos. E eu não sei? Na quinta, 23, já contei aqui que fui jantar com minha filha Lúcia. Era o aniversário dela, fomos só os dois. Ao chegar em casa, dei uma zapeada e estacionei no ‘Cabo do Medo’. Há 20 anos, por aí, quando ainda gostava de Scorsese, defendi seu remake de ‘O Círculo do Medo’, o cultuado thriller de J.Lee Thompson. Agora me dou conta de quye talvez gostasse do Thompson, antes que ele virasse pau mandado do Charles Bronson, fazendo todos aqueles filmes horrorosos. ‘Marcados pelo Destino’, se a memória não me trai, é muito bom. ‘Os Canhões de Navarone’ reinventou a aventura (e o cinema) de guerra. Não acreditava no que (re)via em ‘Cabo do Medo’. Puta filme ruim, meu, embora, para dizer a verdade, tenha gostado da pirueta final, quando De Nirto, preso pelo pé, afunda nas tumultuadas águas do rio e tem uma última troca de olhares com Nick Nolte, dando-se conta de que o outro venceu. Engraçado é que já tinha falado aqui no blog. Já faz um tempo, estava zapeando – como sempre – e entyrou um daqueles primeiros spagherttis de Sergio Leone, não lembro se ‘Por Um Punhado de Dólares’ ou se ‘Por Uns Dólares a Mais’. Tomei outro choque. Coisa malfilmada, mal montada. Era tudo muito cafona, mas havia a trilha de Ennio Morricone para segurar as pontas. Minimizei o som para ver só a imagem – Deus do céu, aquilo era o ó. Mas Leone aprendeu. Gosto de ‘Era Uma Vez no Oeste’ – nas partes, o todo é meio desconchavado, talvez por causa dos cortes impostos pela distribuidora – e ‘Era Uma Vez na América’, esse assim, é grandioso, impactante, mas aí o gênero é outro e os gângsteres substituem os bounty killers do western. Misturei alhos com bugalhos, como sempre, mas o que quero dizer é que Scorsese não vai ganhar, e é pena. Ele foi indicado tantas vezes, e por filmes que marcaram época. Ganhou por um que é pouco mais que medíocre, ‘Os Infiltrados’, seu remake do thriller de Andy Lau, que é melhor. Continuo insistindo na minha tecla. Scorsese era bom no tempo em que era produzido por Barbara De Fina. Diante de ‘Hugo Cabret’, cheguei a pensar comigo. Algo se passou, para esse cara ter melhorado. Vi o filme em Londres, na junkett de ‘Millenium’. Resolvi ficar até o fim dos créditos. Está tudo explicado. Ela voltou. De Fina tem crédito de produção em ‘Hugo Cabret’.