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Cultura » Eis o ‘lead’

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Luiz Carlos Merten

28 Fevereiro 2011 | 12h56

Tentei ontem à noite acrescentar alguns posts durante a cerimônia de premiação do Oscar de 2011, para os melhores de 2010. Foi a 83ª edição dos prêmios da Academia. Não dá – é extremamente complicado, senão impossível, ficar postando enquanto se tem de escrever um texto sem centro (para o jornal), porque a premiação muda a conformação a toda hora e só no final a gente encontra aquilo que, em jornalismo, se chama de ‘lead’. Vamos ao nosso lead, portanto. O Oscar deste ano não teve surpresas (uma que outra, apenas). Nas categorias principais, acho que só a Melissa Leo, melhor atriz coadjuvante por ‘O Vencedor’, foi uma surpresa e, assim mesmo, quem ficou surpreso? Ganharam, como se esperava, ‘O Discurso do Rei’, Tom Hooper, Colin Firth, Natalie Portman (de ‘Cisne Negro’), Christian Bale (de ‘O Vencedor’), ‘Toy Story 3’, ‘Trabalho Interno’ (melhor documentário) e ‘Um Mundo Melhor’ (melhor filme estrangeiro). Com quatro vitórias cada, ‘O Discurso’ e ‘A Origem’, de Christopher Nolan, equipararam-se, em número, mas não em termos de prestígio. ‘O Discurso’ ganhou reconhecimento ‘artístico’, ‘A Origem, ‘técnico’. Mas não foi uma vitória acachapante. ‘Cisne Negro’, de Darren Aronofsky, ganhou o prêmio de atriz, e alguém tinha dúvida de que Natalie Portman ia levar? ‘A Rede Social’, de David Fincher, era favorito após a consagração nas premiações de críticos, no final do ano, mas depois as Guilds, os sindicatos, fizeram a balança pender para o ‘Discurso’. Mesmo assim, ‘A Rede Social’ ganhou três prêmios bons, melhor roteiro, trilha e montagem. Talvez o de trilha tenha sido exagerado, embora ela seja boa, mas a de Alexander Desplat é melhor. E não podemos esquecer o que Stanley Kubrick dizia – que cinema ‘é’ montagem, não? Fico pensando. Todo ano há um vencedor e um derrotado. Quem foi o derrotado de 2011? Pelo número de indicações, ‘Bravura Indômita’, de Joel e Ethan Coen, foi o perdedor do ano. Ou eu me perdi na jogada ou o filme não ganhou nenhuma das estatuetas a que concorreu. E é o maior sucesso da carreira dos Coen, tendo faturado mais do que todos os filmes anteriores deles, o que inclui sucessos (de público e crítica e até vencedores do Oscar) como ‘Fargo’ e ‘Onde os Fracos não Têm Vez’. A Academia é engraçada. Tem se distanciado, tanto quanto possível, da ‘indústria’. No ano passado, o miúra ‘Guerra ao Terror’ não bateu ‘Avatar’? Aliás, vou confessar. Gostei de muita coisa na cerimônia, muitas delas ligadas à parte musical. Adorei a homenagem a Lena Horne – e como a Halle Berry estava gostosa –, aquele número com letras satíricas sobrepostas às imagens dos filmes indicados para melhor canção. Faltou glamour, concordo, mas adorei o velho Kirk Douglas flertando com Anne Hathaway. James Franco e ela foram ótimos apresentadores e eu achei bacana que as imagens dos indicados para melhor filme tenham sido montadas sobre o áudio do rei Colin Firth discursando. Não gosto particularmente do ‘Discurso’, mas não seria louco de achar o filme nulo. Acho interessante aquela discussão sobre o homem que não queria ser rei, mas não consegue fugir ao papel social para o qual estava destinado, tendo de se moldar, ou conformar, a ele. Meu susto, naquela festa, foi quando Kathryn Bigelow, que sempre achei uma mulher sexy, entrou para entregar o prêmio de direção. O que ela fez? Tomou asteroides? Nem James Franco, fantasiado de Marilyn Monroe, parecia tão masculino. Ao lado de Hilary Swank, que não é exatamente minúscula – é alta, já a entrevistei –, ela formava um contraste digno de comédia.