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Luiz Carlos Merten

06 Junho 2008 | 12h30

Saí ontem no final da tarde da redação do Estado e enfrentei um trânsito barra-pesada para assistir, no Unibanco Arteplex, a ‘Efeito Dominó’. Queria ver o filme porque Jason Statham, não me canso de repetir, virou, com ‘Adrenalina’, meu astro favorito de ação. Zanin, meu colega Luiz Zanin Oricchio, gostou bastante e eu corri para conferir – era o último dia, a última sessão -, porque o filme permanece, mas em salas muito distantes para mim (o Shopping Anália Franco, ao qual nunca fui, confesso). Gostei muito, mas tenho minhas dúvidas se se trata de um filme de ‘ação’, no sentido tradicional, ou de um drama (pesado e bom). Minha primeira surpresa foi constatar que o filme é dirigido por Roger Donaldson (não sabia). É um diretor desconcertante, que faz não importa o quê, mas dentro de sua obra ‘eclética’- e um tanto despersonalizada -, existem, títulos interessantes que apontam para um enfoque político – ‘Marie’, ‘Sem Saída’, ’13 Dias Que Abalaram o Mundo’. ‘Efeito Dominó’ pertence a esta tendência. A história de um grupo de amigos cooptado a participar de um assalto a banco – engendrado por integrantes do próprio governo britânico, que querem recuperar fotos comprometedoras de ‘um membro’ da família real (leia-se a princesa Margareth, que Lord Mountbatten define como ‘safadinha’, com fleuma tipicamente british) – desencadeia o efeito do título, em que tudo sai errado e a violência se torna progressiva, envolvendo aristocratas perversos, policiais corruptos e integrantes da indústria da pornografia. Lá pelas tantas, Jason Statham tem de dar umas patadas para resolver a parada, mas o desmentelamento da operação vem por meio de um engenhoso planejamento que ele executa e que envolve bastante risco. Achei bem legal e recomendo. Como na abertura há um letreiro informando que se trata de uma história real, fiquei pensando – quão real? A princesa safadinha era mesmo Margareth? E quem era o dublê de revolucionário negro e proxeneta que acrescentou um X ao próprio nome, para parecer como Malcolm X? Independentemente de respostas para essas perguntas, o filme vale. E me forneceu elementos para falar de ‘Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto’, outra estréia de hoje – no próximo post.

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