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Cultura » ‘Édipo’!

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Luiz Carlos Merten

27 Julho 2011 | 10h52

Meu amigo Dib Carneiro me arrastou ontem à noite para ver “Édipo’ no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura. Obrigado, Dib. Adorei a revisão do texto de Sófocles feita por Elias Andreato. Eucir de Souza faz o personagem título – Cláudio Fontana começou fazendo o Édipo de Andreato, ou fez uma leitura e teve de parar, por causa de outros compromissos. Conhecia o Eucir do cinema, achei-o bom demais. E o texto de Sófocles atualizado não perde a força – ‘Ai de mim!’ . Não sei se alguma vez fizeram uma pesquisa para apontar o maior personagem de todos os tempos. Hamlet, Dom Quixote, são tantos os personagens fascinantes (e inesquecíveis), mas eu acho que nenhum me impressiona tanto quanto Édipo. Nenhum catalisa tantas desgraças. Adorei o despojamento cênico, a ausência de cenário, de adereços, os figurinos reduzidos a simples túnicas pretas. Lembrei-me da Electra de Ziembinski, a que assisti na interpretação de Glauce Rocha, nos anos 1960 (com Margarida Rey impressionante como Clitemnestra). A música participa da ação, mais um trabalho precioso de Daniel Maia, que também fez a partitura para ‘Absinto’, outro trabalho lindo – texto de Luciana Carnieli, a Madame Clessi de Gabriel Villela, direção de Cássio Scarpin – que adorei, num daqueles teatros da Praça Roosevelt. Sei que ‘Édipo’ permanece em cartaz, sempre às terças, durante o mês de agosto. Não sei se ‘Absinto’ continua, ou vai voltar, mas a ligação da atriz com o zelador do prédio (Bruno Perillo) e o diálogo que Luciana faz da própria peça com a mítica Blanche Dubois de Tennessee Williams (‘Um Bonde Chamado Desejo’) fazem do espetáculo uma daquelas experiências que valem compartilhar. Aproveitando que estava na Livraria Cultura, fui dar uma olhada nos DVDs. Descobri que o velho ‘Capitão América’, o seriado dos anos 1940, com Dick Purcell, foi lançado pela Classicline, pegando carona na nova versão. O diretor é um tal de Elmer Clifton. Quem é? Não tenho registro, mas fiquei curioso de ver como o personagem é tratado em plena guerra (e ele surgiu como parte do esforço para combater o nazi-fascismo, no calor da hora).

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