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Luiz Carlos Merten

09 Abril 2010 | 10h19

Encontrei ontem na abertura do É Tudo Verdade meu amigo Schlomo, que faz o Festival do Cinema Brasileiro em Israel. Ele me recomendou, e eu repasso a recomendação a vocês,  que não perca (percamos) o documentário israelense ‘Difamação’, de Yoav Shamir, que investiga a permanência do conceito de anti-semitismo no mundo atual. Entre outros detalhes, um jovem negro do bairro nova-iorquino de Crown Heights diz que os negros são hoje mais perseguidos e os palestinos de Gaza muito provavelmente vão chamar os israelenses de ‘nazistas’. O filme, desde o título, dá conta dessa difamação e Schlomo me garante que é muito forte (o diretor estará aqui). Estou muito curioso para ver o filme e também recomendo ‘VJs de Mianmar’, de Anders Ostergaard, que usa filmagens ilegais feitas por jornalistas no país para mostrar os efeitos devastadores da ditadura militar. Também quero recomendar ‘Capitalismo, Uma História de Amor’. Ando na contracorrente, sei. O filme de Michael Moore de que menos gosto é ‘Tiros em Columbine’, por causa daquele retrato cruel que ele fez de Charlton Heston. Moore é personalista e manipulador, mas talvez seja menos em seu novo filme, que não será lançado nos cinemas no Brasil. ‘Capitalismo’ irá diretamente para DVD. Quem quiser vê-lo nos cinemas terá só o É Tudo Verdade. Nenhum outro filme, ou reportagem, me informou tanto sobre a grande crise financeira de 2008 e os personagens que Moore encontrou são incríveis. Algumas daquelas histórias, se fossem de ficção, seriam consideradas ‘fantásticas’ e descartadas como excessivas. Mas é tudo verdade. Alás, o que é ‘a verdade’? Sinceramente, acho importante que Moore exista como voz ‘do contra’. Ele perdeu impacto sem seu garoto-propaganda e ele era o presidente George W. Bush, sem dúvida. Moore, sem Bush Jr, não é a mesma coisa.