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É ruim mas é bom!

Luiz Carlos Merten

05 Março 2008 | 08h44

Se eu seguir a ordem vou terminar falando sobre o ‘Ponto de Vista’ bem adiante. Vou antecipar, para o Paulinho. Havia visto o trailer do filme, com toda aquela armação – o assassinato do presidente dos EUA e a caçada aos criminosos. Não sabia nada, não havia lido nada e acho até que foi melhor assim. O filme não se chama ‘Ponto de Vista’ por acaso. Na verdade, propõe uma sucessão de pontos de vista que vão fazendo a narrativa avançar. É um roteiro engenhoso e criativo, que volta sempre ao mesmo ponto, 11h59min58seg, embora, lá pelas tantas, dê a impressão de se repetir. Começa com a reportagem de TV, Sigourney Weaver no comando, até o momento em que o presidente (William Hurt) é alvejado, quando participa de uma cúpula na Espanha para combater o terrorismo. Não é difícil descartar o filme do Pete Travis (quem é? O nome não me é desconhecido). Afinal, o desenho dos terroristas árabes – e da terrorista – revela-se tradicional, eles, ou a dupla que arma tudo, é peçonhenta, mas existem atenuantes nesta história. O presidente luta contra o establishment militar, que exige dele ação imediata, o que significa bombardear localidades no Marrocos onde se suspeita que estejam escondidos terroristas. Do lado de lá, os próprios terroristas não formam um grupo homogêneo e existem, entre eles, os que comandam (e cuja identidade vai sendo revelada aos poucos). Os demais são sucessivamente traídos. Não avanço mais para não tirar a possível graça das revelações que vão surgindo – sobre o presidente, os integrantes do seu staff de segurança, mas existem duas frases importantes ditas pelo Matthew Foxx, a primeira de cara, no seu primeiro diálogo com Dennis Quaid, e a outra no último. Dennis Quaid faz o protagonista. É o agente que, no passado, salvou o presidente, ficou ferido (e traumatizado) e tenta um difícil recomeço – a famosa segunda chance que é o avatar do cinema de ação de Hollywood. O filme é um pouxco ‘Na Linha de Fogo’, o melhor Wolfgang Petersen, mas sem Clint Eastwood e narrado de outro ponto de vista. Para quem curte ação, o filme do Travis é um prato cheio. Ainda existe o que inovar em perseguição de carros? Existe. Qual foi o filme recente que a gente viu e tinha aquela perseguição em Londres? A perseguição agora é nas ruas estreitas de Salamanca, onde ocorre a tal cúpula. E o Travis não é bobo. Encheu o filme de bonitões – Matthew Foxx, de ‘Lost’, Eduardo Noriega. No final da sessão, havia coleguinhas – elas, principalmente – passando mal. É o tipo do filme bom de ver numa platéia de críticos. Durante, a reação deles é uma. Na saída, outra. Resumindo – pode até ser ruim, mas é bom!

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