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Cultura » É proibido (ou não?) fumar?

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Luiz Carlos Merten

22 Novembro 2009 | 10h04

Até fui conferir qual havia sido meu último post anterior. Sexta-feira de manhã. ‘Tendências’, misturando ‘2012’ e ‘Lua Nova’. Naquele dia, saí correndo do jornal para integrar a comissão formada pelo Canal Brasil para o prêmio aquisição de curta no Mix Brasil. Achei os curtas concorrentes bem fraquinhos, para dizer a verdade. Vimos os filmes, almoçamos (no Arábia) e eu nem voltei à redação do ‘Estado’. Fui ao cinema e, à noite, teatro, ‘Restos’, de Neil Labute, com Antônio Fagundes. Achei a coisa mais interessante que já vi na palco com Fagundes. O texto é provocativo, bem a cara do Labute, e tem uma revelação final que me pegou de calças curtas. Até tinha esquecido desse lance. No sábado, vi mais duas peças, ‘As Meninas’ e ‘Das Possibilidades da Alegria no Mundo’ – é esse o título? -, um texto triste, e uma montagem idem, que me fizeram chorar. Está sendo um fim de semana bem teatral. Estou indo para o jornal e, no fim da tarde, assisto a ‘Hamelin’, no CCBB, onde gostaria de aproveitar e já pegar um Woody Allen, na retrospectiva do ator e direto. Assisti quando, na quinta?, ao novo filme de Woody, ‘Whatever Works’, e gostei médio. Já disse que ando perdendo minha paciência com ele, sorry, mas agora quero voltar ao teatro para relatar uma experiência que me pareceu meio absurda. Sou de um tempo, os anos de chumbo, em que vivíamos sob o peso da censura e a arte tinha de ser subversiva. Na verdade, ela deve ser sempre (subversiva), mas deixa pra lá. O prefeito Kassab estava no Teatro da FAAP, para ver Antônio Fagundes. Tirando o fato de que o achei meio Mickey Rourke demais para o meu gosto – sem a decadência, é verdade -, Fagundes está bem, repito. E ele, fiel ao personagem, fuma feito uma chaminé. Estava lá o prefeito que instituiu a lei antifumo e o cara pitando, acendendo um cigarro no outro. Fumar, na realidade, não pode mais, em lugares públicos. Na arte, sim. Achei meio bizarro, mas tinha o caráter subversivo. O ator desafiando o governante a este, muito civilizado, sem poder lhe dar ordem de prisão, como era praxe na ditadura. Muito interessante – sinal dos tempos. Ontem, nas ‘Meninas’ – bonita montagem, mas no início eu não estava gostando das atrizes, exceto Clarisse Abujamra -, uma das personagens, a Ana, que Cláudia Liz fazia no cinema, também fuma (e fuma). Não sei exatamente que ilação tirar deste post. Como não fumo, em princípio, detesto a fumaça do cigarro, que, pela lei de Murphy, não vai para o nariz de quem traga, mas para o do infeliz que está no lado. Em princípio, deveria ser solidário com a lei, mas aí penso na Marlene DIetrich, sempre envolta naquela nuvem de fumaça, na Jeanne Moreau, que deve ter fumado uns dez cigarros durante a entrevista que me deu no Festival do Rio, e fico bagunçado. A situação toda ne parece muito estranha. O título (do post) pega carona no filme de Anna Muylaert que está passando neste fim de semana em Brasília (e estreia dia 4 de dezembro nos cinemas). Foi ontem, será hoje? Digo – o filme? Alguém já viu? Dêem-me notícias, por favor. Não gostei de ‘Durval Discos’, da primeira vez que vi o longa anterior da Anna. Depois, devo ter visto umas dez vezes. Não é um filme do qual possa dizer que tenha amado – há alguma coisa que entrava minha participação -, mas ele é muito elaborado, a direção é sofisticada e as interpretações (de Etty Frazer e Ary França, que faz o Durval) sempre terminam por me envolver. Mas, afinal, é proibdo (ou não) fumar?