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Cultura » E passa aquele veadinho na janela

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Luiz Carlos Merten

11 Setembro 2007 | 14h27

Saymon acha que era piada do Sirk com o Rock Hudson (e ele não percebia) quando a câmera se desloca do abraço do galã e de Jane Wyman para pegar o veadinho passando lá fora, na cena final da janela, em Tudo o que o Céu Permite. Eu acho que era totalmente consciente da parte de ambos. O que mais me diverte nas comédias de Rock e Doris Day, quando (ou se…) as revejo hoje, é justamente a quantidade de indicadores que cineastas bem menos astutos do que o grande Sirk colocam em Confidências à Meia-Noite, Volta, Meu Amor etc. Tem sempre a cena em que Rock entorta a mão ou faz um hetero que representa um gay, alguma coisa do gênero. O homossexualismo de Rock Hudson foi um dos mais guardados segredos da indústria de Hollywood. Ele representava a matriz do homem nos melodramas de Sirk – em Palavras ao Vento e Almas Maculadas o ‘instável’ é sempre Robert Stack –, foi um sólido mocinho nos westerns de Raoul Walsh e aquele monumento de integridade em Assim Caminha a Humanidade (Giant), de George Stevens. Não digo que ninguém soubesse que era gay, mas era muito discreto. Quando assumiu que estava com aids e surgiram relatos de todas aquelas orgias na casa dele, envolvendo amiguinhos como George Nader, Tab Hunter e todos os ‘modelos’ de Hollywood, foi um choque. Gosto muito de vários filmes de Rock Hudson. Tenho até, para mim, que ele era melhor ator do que a gente pensava. Afinal, enganou a tantos, durante tanto tempo…

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