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E os filmes do Varilux dialogam entre si

Luiz Carlos Merten

10 Junho 2017 | 10h23

RIO – Tenho faltado aos compromissos sociais do festival, porque minha prioridade são os filmes e as entrevistas e todo dia – enfim, na quinta e sexta – tinha matérias para a edição e ia à sucursal do Estado. Ontem vi o Omar Sy (Uma Família de Dois, de Hugo Gélin), o François Ozon (Frantz) e o Olivier Peyon (O Filho Uruguaio). Curiosa a forma como os filmes dialogam entre si, ou como dialogaram no meu imaginário. Franz e Família são filmes sobre a utilidade e a necessidade da mentira, Família e o Filho Uruguaio são sobre o difícil processo de se tornar pai, mãe. No limite, sobre a renúncia que envolve o verdadeiro sentimento. Omar Sy é um astro na França e Uma Família de Dois fez 3 milhões de espectadores. No Brasil, imagino que não vá decepcionar o público de Intocáveis. Entrevistei agora pela manhã Peyon e sua atriz argentina, Maria Dupláa. No início, ele queria fazer O Filho na Argentina, mas terminou filmando no Uruguai, país pelo qual se sentia atraído por causa de Whisky. Lembram do filme? Foi um grande sucesso na França e Peyon o ama. Como conheço razoavelmente Montevidéu, observei como ele tenta fugir ao cartão postal para servir ao intimismo da história, e ele tomou a observação como elogio, o que não deixa de ser. Uma Família de Dois é sobre esse bon vivant que, de repente, se vê às voltas com o bebê (a) que uma amante de uma noite deixa em sua porta, ou melhor, barco. O Filho Uruguaio é sobre essa mulher que atravessa o Atlântico para retomar o filho que o marido sequestrou. Ela chega e descobre que a criança tem toda uma famílias, criada com amor pela avó e a tia. A avó, que perdeu o filho, lhe suplica – não me tire o neto. E agora? O Festival Varilux estás cheio de atrações neste sábado aqui no Rio, aí em São Paulo e em mais 53 cidades de todo o Brasil. Como alternativa a Hollywood – a A Múmia -, oferece coisas bem interessantes. Melhores. Vamos lá.