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E ‘O Reverso da Fortuna’, onde foi parar?

Luiz Carlos Merten

06 Janeiro 2008 | 13h37

Temos mais um Fábio aqui no blog, o Yamagi, que também comprou o livro ‘Cinema Now’, ao qual me referi ontem. Fábio gostou das fotos (como eu) e cita a dos bastidores do filme da melancia de Tsai Ming-liang. Eu também tinha reparado naquela foto – o casal na cama, em plena penetração e com toda aquela parafernália de câmeras e equipe ao redor. Noooosssaaa! O melhor é a cara dos atores. É como se não fosse com eles! O que me leva de novo a Jeremy Irons, como vocês vão perceber daqui a pouco. Adorei os comentários ao post sobre Jeremy. Não sou admirador incondicional de David Cronenberg. Gosto muito de alguns filmes dele (‘Gêmeos’, ‘Senhores do Crime’), mas dispenso outros (‘Mistérios e Paixões’, ‘M. Butterfly’) e até entendo por que, ao pesquisar certa vez na internet, encontrei a definição de ‘Sr. Terror Venéreo’ para ele. Mas, enfim, o que quero saber é o seguinte – na troca entre Saymon, Régis e Fábio Negro, foi esquecimento ou omissão consciente a ausência de ‘Reverso da Fortuna’, de Barbet Schroeder, na análise dos filmes de Jeremy Irons? Pergunto porque é o meu favorito – a interpretação, não exatamente o filme –, e não apenas porque ele ganhou o Oscar pelo papel, numa daquelas vezes em que se pode dizer que o prêmio foi totalmente merecido. O que o Jeremy faz com com o Klaus Von Bulow, aristocrata acusado do assassinato da mulher, não está no gibi. Tem ali uma mistura de afetação e de ‘pathos’ que poderia destruir o personagem, mas é sublime. Também adoro o Jeremy Irons em ‘Um Amor de Swan’, de Volker Schlondorff, que tem aquela cena incrível em que ele penetra a moça por trás e a cara, completamente blasé, não transmite nada. É como se Jeremy estivesse tomando chá, educadamente, com ela, em vez de fazer sexo (selvagem?). Isso me lembrou a cara inocente do ator de Tsai Ming-liang e também me levou a uma história sobre Jeremy Irons que considero ótima, mas que também é muito grosseira, já vou falando, para o caso de alguém querer desistir. Quando Isabelle Adjani e Sharon Stone resolveram fazer o remake de ‘As Diabólicas’, de Henri-George Clouzot, a primeira escolha do diretor de ‘Diabolique’, aceita pelo estúdio, foi o Jeremy Irons. Jeremiah Chechik achou que ele daria complexidade ao papel do diretor da escola, que a mulher e a amante querem matar (e se unem para isso). As duas estrelas bateram opé que não aceitavam trabalhar com ele e a Sharon disse a frase lapidar – que ele ‘parece não ter p…’ (e o P que ela usou é o chulo, podem crer). Atrás de um sujeito que tivesse (P), as duas foram bater na porta do Chazz Palminteri e eu não sei se ‘Diabolique’ seria melhor com Jeremy – acho que não –, mas ficou horroroso com o escolhido de Isabelle e Sharon. Acho que Jeremy confia demais no próprio taco, ou então não liga a mínima para o cinema e aceita não importa o quê. Mas a verdade é que ele tem grandes filmes, grandes papéis e eu, particularmente, o acho mais interessante do que um Anthony Hopkins, que quando é bom é ótimo, mas quando é ruim é péssimo. Nunca vi o Jeremy Irons assim tão ruim. Não me lembro, pelo menos. Ai, me lembro, sim. ‘A Casa dos Espíritos’… De qualquer maneira, as boas lembtranças predominam no caso dele, e eu incluo entre elas o ‘Eragon’.