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E o Lobo do Deserto, hein? Maravilhoso!

Luiz Carlos Merten

05 Março 2016 | 10h36

Deixem lá meu amigo Inácio Araújo no canto dele, mas não posso resistir. Vi no outro dia o título de uma crítica dele sobre O Filho de Saul, e era, se não me engano, um raro filme estrangeiro imprescindível, mas será que era isso mesmo? Desde quando Inácio deixou de se interessar por Eric Rohmer e Jean-Luc Godard? Teremos assunto no próximo jantar em casa de Margarida Oliveira. Cito, en passant, mas não li a matéria. Folha, eu hein? Basta o título. Reunindo material da cobertura do Festival de Cannes, no ano passado – para o credenciamento deste ano -, lembrei o impacto que o filme de Nemes me produziu, e foi para o título do texto, escolhido pelo pessoal da redação. Meu entusiasmo diminuiu bastante depois disso, e O Filho de Saul é um dos raros filmes que me dividem. Film Comment, para voltar à revista, colocou o trabalho de Nemes na capa, numa edição anterior – In the Belly of the Beat, No Ventre da Besta. Há um texto a favor, de Jonathan Romney, Dead Man Walking, e outro contra, de Stefan Grissemann, e foi com esse segundo, Atrocity Exhibitionism, que me identifiquei mais. Grissemann põe o dedo na ferida e expõe o mesmo mal-estar que sinto diante do filme – por que O Filho de Saul é um oportunista e altamente problemático exercício de meta-exploração, pergunta-se o crítico baseado em Viena? Todo esse blá-blá-blá é introdutório para o que vem a seguir. Gostei médio de Mustang/As Cinco Graças – conversei, em Berlim, com a crítica turca Alin Tasciyan, que preside a Fipresci e ela acha o filme ‘sexista’, dando graças a Deus que tenha representado a França – e bastante de O Abraço da Serpente, que também foram indicados para o prêmio da Academia como filmes estrangeiros. Ainda não tinha visto Theeb, O Lobo do Deserto, que representou a Jordânia no Oscar.O filme já estava, não sei se ainda está, em horários bem alternativos. Fui ver e gostei demais. Mesmo sabendo que Saul ia ganhar teria torcido por Theeb. Puta filme complexo. Não é a tradicional história de rito de passagem nem de vingança. Tem algo mais. E o deserto… A beleza das imagens é digna de David Lean (Lawrence) e Bernardo Bertolucci (O Céu Que nos Protege). Amei.