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Cultura » E o lobisomem?

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Luiz Carlos Merten

01 Novembro 2009 | 13h33

Gostei tanto do novo Christophe Honoré, com Chiara Mastroianni, que vi ontem pela manhã. Como é mesmo que se chama? ‘Ma Fille, Tu n’Iras pas Danser’? Honoré muda a ambiência, principalmente, troca a cidade pelo campo, mas continua falando de relações difíceis. Amei o rompimento da linearidade, quando o filme para e ele conta outra história de mulher, ocorrida na Idade Média, mas que esclarece a de Chiara (ela se chama Lena). Adoro cada vez mais essas rupturas que, aparentemente, não têm nada a ver com o relato – há algo semelhante em ‘Independência’, de Raya Martin. Emendei várias sessões à tarde e à noite. Começo com ‘Insolação’, do qual não gostei, mas sobre o qual vale a pena falar, pois o filme começa com o Paulo José falando sobre tristeza e eu acho que os grandes filmes dessa Mostra, os que têm me tocado, são todos filmes (muito) tristes. Na sequência vi o ‘Perseguição’, de Patrice Chéreau, que tem tudo a ver com o filme de Felipe Hirsch e Daniela Thomas, e também, de certa forma, com o de Honoré. O personagem de Romain Durys é a versão masculina do de Chiara – para que simplificar, se a gente pode complicar a vida? Mentiria, se dissesse que me apaixonei pelo filme de Chéreau, mas é forte e ele é um p… diretor de atores. Charlotte Gainsbourg, já maravilhosa em ‘Anticristo’, está show de novo. Encerrei minha noite, ontem, vendo o uruguaio ‘Mau Dia para Pescar’, de Alvaro Brachner, sobre o qual nunca ouvira falar, mas do qual fui atrás porque foi selecionado pelo público da Mostra como um dos 12 que concorrem ao troféu Bandeira Paulista. ‘Mau Dia’ foi indicado pelo Uruguai para concorrer a uma vaga no Oscar, vencendo o que parecia o favorito, ‘Gigante’, de Adrián Biniez. Vamos ter de falar sobre o Uruguai e seu cinema, principamente sobre o Uruguai e seus atores maravilhosos. Hoje pela manhã, passei no Hotel Hyatt, na Marginal, para ver o promo de ‘Lua Nova’. Daqui a pouco volto lá para entrevistar Kristen Stewart e Taylor Lautner, que estão no Brasil promovendo a segunda parte da saga ‘Crepúsculo’. Houve tumulto ontem no aeroporto, em Guarulhos. A garota parece que encrencou com a imigração e a polícia federal fez ir para o brejo o esquema montado para que ela (e o lobisomem…) saíssem incógnitos do aeroporto. Caí duro ao chegar ao Hyatt porque lá estavam centensas de adolescentes portando cartazes e aos gritos – essas coisas a gente não vê mais no cinema. É mais coisa de astros pop, da música, tipo Madonna. O curioso é que a maioria é de meninas, se bem que aquele bando de pré-lobisomens, sem camisa, todos tanquinhos, vão fazer o maior sucesso no Frei Caneca. Mas, enfim, o público era de meninas e suas mães, e muitas me pareceram mais frenéticas do que as filhas. Vampiro, lobisomem, esses personagens carregam pesados subtextos sexuais. A libido estava – está? – solta na porta do Hyatt. Lá vou eu para o ‘Lua Nova’. E, depois, tem Mostra. Meu domingo vai ser longo.

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