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Cultura » E o Heitor, hein?

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Luiz Carlos Merten

02 Março 2012 | 20h00

Fui ver agora à tarde o filme norte-americano de Heitor Dhalia. Cabine cheia (na Paris), a maioria saiu meio indignada com o ’12 Horas’ e teve até gente se perguntando – mas por que o Heitor, tão talentoso, entrou nessa roubada? Taí uma pergunta que pretendo fazer para ele, mas sem discordar, propriamente, da insatisfação produzida pelo thriller com Amanda Seyfried, achei o filme bem dirigido, mais até do que o ‘À Deriva’. O problema nem é o filme ser de gênero, o que gosto, mas a fórmula. Amanda foi sequestrada e abusada por um serial killer. Ficou traumatizada e o pior é que ninguém acredita nela, a polícia, principalmente. Quando a irmã desaparece, Amanda tem certeza de que o cara voltou, e se arma para ir atrás dele. O filme tem muito aquela coisa da pista falsa, cria expectativas que abandona etc. O próprio criminoso é um ‘McGuffin’ e o confronto é anticlimático, porque o mais importante é mesmo a coisa mental, o que se passa na cabeça da garota. Neste sentido, o filme meio que briga com (tentando subverter) a própria banalidade. O roteiro – o elo fraco – não deixa de ter um viés que achei interessante. Quando Amanda inicia sua busca, ela tece uma rede de mentiras nas quais se enreda. Ouso dizer que isso talvez tenha sido o mais intrigante para o Heitor, mesmo que fique meio solto. O filme não é bom, sorry.

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