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Cultura » …E o Gastal amava `A Ilha Nua`

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Luiz Carlos Merten

01 Junho 2012 | 05h18

PARIS – Alessandro, comentando meu entusiasmo relativo por Prometheus – pelo visual do filme, mais que pela dramaturgia -, destaca o feminismo de Ridley Scott. Conversamos sobre a forca de suas mulheres e Ridley disse que veio de sua maeh, que criou tres filhos homens. O pai era militar, vivia na caserna,e a mae se encarregava de manter os filhos nos eixos. Como disse Ridley – ela nao precisava bater, Um olhar paralisava os garotos. No meio do assunto, surgiu a relacao entre pais e filhos. O pai dos replicantes de Blade Runner sofre de uma doenca degenerativa, o de Prometheus eh um velho em busca da imortalidade – Guy Pearce esta irreconhecivel no papel – e eu aproveitei o gancho para perguntar isso, a doenca, a morte, era algum comentario de Ridley Scott sobre a paternidade. A entrevista jah estava terminando, ele desembestou a falar dele, dos irmaos, dos filhos. Achei que tivesse um filho cineasta, mas pelo visto sao dois, vou ter de pesquisar. Mas eh curioso como certos assuntos tocam mais e as pessoas se abrem, a entrevista fica mais sincera e reveladora. A questao da mae – essa forca da mulher foi o que quis destacar no cinema de Kaneto Shindo, por meio de sua atriz, Nobuko Otowa. Kaneto fez, nesta fase final, um documentario sobre Kenji Mizoguchi, o grande diretor famoso por seus retratos de mulheres, fossem prostitutas ou imperatrizes. As vezes tendo a confundir Kaneto Shindo com Kon Ichikawa. Onibaba eh dele, Kagi, Paixoes alguma coisa, eh do Ichikawa, a quem conheci em Veneza, quando ele foi apresentar sua versao de 37 Ronin. Pode ser que me engane, mas creio que Kaneto Shindo resistiu aa tentacao de fazer filmes de samurai. Quando incursionou pelo horror, Gato Preto, o subtexto era a violencia do sexo. Sua morte me leva a pensar nos grandes diretores japoneses que me marcaram – Akira Kurosawa, Yasujiro Ozu, Mizoguchi (claro), Mikio Naruse, Heinesuko Gosho e o maior de todos, Masaki Kobayashi. P.F. Gastal, o grande critico gaucho – que bom que eu p0sso reconhecer e dizer isso -, amava A Ilha Nua. Fica o post como homenagem aos tres, a Gastal, a Shindo e a sua excepcional atriz.