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Luiz Carlos Merten

15 Setembro 2006 | 10h40

João Batista de Andrade está secretário, mas é cineasta. Seu novo filme, Veias e Vinhos, estréia hoje. Foi exibido no Festival do Recife, onde ganhou um prêmio daquele mesmo júri exótico que considerou Rita Lee a melhor atriz coadjuvante por haver dublado uma personagem de Wood&Stock, animação de Otto Guerra. No debate após a projeção, fui fazer não me lembro qual objeção e João Batista disse que já esperava, porque não gosto dos filmes dele. Não é verdade. Não gosto dos recentes, que andam ruins. Os anteriores, O Homem Que Virou Suco, A Próxima Vítima, a obra-prima do João, que é Wilsinho Galiléia, o próprio O Tronco, desses gosto e, quando não gosto, respeito muito. O problema é que, ao narrar uma história real ocorrida em Goiania, por volta de 1960, o diretor quis fazer uma análise histórica do Brasil da época, dividido entre forças progressistas e reacionárias, como forma de entender o presente. Um homem é brutalmente torturado pela polícia. Você já viu este filme – O Caso dos Irmãos Naves, de 1967, era melhor. O didatismo de João Batista, sua mão pesada que carrega nas tintas e transforma tudo em caricatura, apontam, para mim, o rumo de uma estética ultrapassada, a despeito do prêmio no Recife. Mas, por favor, não deixem de ver o filme pelo que estou dizendo. É só um ponto de partida para que você também se manifeste.