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Cultura » E o bebê voador?

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Luiz Carlos Merten

17 Fevereiro 2009 | 13h43

Já havia assinalado que ‘La Teta Asustada’ possui elementos de um realismo mágico que a diretora Claudia Llosa trata com um realismo (tout court…) quase documentário. Meio faísca atrasada, só depois me dei conta de que ‘Ricky’, de François Ozon, também integrando a competição na Berlinale, é meio-irmão de ‘La Teta…’ A história do bebê com asas é ‘fantástica’ como a do filme peruano, mas o Ozon, no fundo, lixa-se para isso e usa o bebê para falar sobre a família, não de forma documentária como Claudia, mas com o pé no chão. Não tive uma primeira impressão favorável a ‘Ricky’, mas o filme ficou comigo e no avião, por exemplo, me surpreendi pensando no que Ozon me havia dito. Ele queria fechar sua trilogia sobre a morte – ‘Sob a Areia’ e ‘O Tempo Que Resta’ – filmando a morte de uma criança, mas o tema lhe parecia demasiado doloroso. Ozon terminou encontrando a forma de falar dessa perda. Não vou dizer qual é, para não tirar a graça – vocês vivem me acusando de entregar o ouro -, e o filme, afinal, foi comprado pela Califórnia. Acho o Ozon intrigante, mesmo quando não gosto, porque é um diretor que está sempre mudando para permanecer fiel a si mesmo. A título de informação, acrescento que a crítica francesa – ‘Cahiers’, inclusive – está gostando bastante de ‘Ricky’, que estreou na França na quarta-feira passada. Quando o teremos aqui? Na Mostra? Eis outro filme que teremos de esperar.